Maria Vitoria

ALITA lança documentário sobre a trajetória de João Otávio Macedo

A Academia de Letras de Itabuna (ALITA) estreou mais um episódio do projeto Documentários Alitanos, desta vez dedicado ao Dr. João Otávio Macedo, figura de grande relevância na história intelectual e cultural da instituição.

No documentário, João Otávio compartilha lembranças de sua infância em Itabuna, marcada por simplicidade e forte incentivo ao estudo, além de narrar sua precoce atuação como professor. Sua trajetória acadêmica o levou à medicina, área em que construiu uma carreira sólida como urologista e médico legista, exercendo também a docência ao longo de sua vida.

O depoimento revela ainda aspectos pessoais marcantes, como sua relação com a esposa Zina, recordada com emoção, e sua paixão pela leitura, pela história e pela preservação da memória. Ao longo da narrativa, evidencia-se uma vida pautada pelo conhecimento, pela dedicação à família e pelo compromisso com a sociedade.

O documentário integra a série produzida pela ALITA com o objetivo de registrar as histórias de seus membros, formando um importante acervo audiovisual da memória da Academia.

A produção tem direção da presidente Raquel Rocha, direção de fotografia e edição de Sávio Lawinscky, e trilha sonora original de Lima Junior.

O filme já está disponível no canal oficial da ALITA no YouTube no link abaixo.

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Em gesto de apoio à cultura, Santa Casa de Itabuna cede espaço para a nova sede da ALITA

A Academia de Letras de Itabuna (ALITA) alcançou uma importante conquista institucional com a cessão, em regime de comodato, de um imóvel localizado no bairro Pontalzinho, onde passará a funcionar sua nova sede. Instituição de utilidade pública, a ALITA reafirma, com essa conquista, seu compromisso com a cultura e a literatura na região.

O espaço foi disponibilizado pela Santa Casa de Misericórdia de Itabuna, sob a gestão do provedor Francisco Valdece, fortalecendo o vínculo entre instituições comprometidas com o desenvolvimento humano, social e cultural da cidade.

A relação entre a Santa Casa e a ALITA já possui uma trajetória histórica: a instituição foi registrada nos poemas de Cyro de Mattos, nos documentários dirigidos por Raquel Rocha e foi, ainda, a primeira a receber a Medalha Jorge Amado, a mais alta honraria da Academia.

A concretização da cessão contou com a articulação do Dr. Silvio Porto, membro e Diretor de Comunicação da ALITA, cuja atuação foi fundamental para viabilizar a parceria.

A entrega das chaves foi realizada durante reunião institucional que contou com a presença do provedor Francisco Valdece, do vice-provedor Peter Deviris Santos Lemos, da presidente da ALITA, Raquel Rocha, do primeiro tesoureiro André Wermann e do Dr. Silvio Porto, marcando oficialmente o início de uma nova etapa para a Academia.

Na ocasião, a presidente destacou a relevância da conquista:

“A nova sede representa um passo fundamental para a consolidação da ALITA. Ter um espaço próprio nos permitirá acomodar nosso acervo, acolher melhor nossos membros e desenvolver projetos culturais com maior alcance.”

Também presente, o Dr. Silvio Porto ressaltou o significado mais amplo da parceria:

“A medicina nasceu como arte, e esta parceria reafirma a importância de unir ciência, cultura e sensibilidade humana em benefício da sociedade.”

Com a nova sede, a ALITA amplia sua atuação e presença na comunidade, fortalecendo seu papel como espaço de promoção da literatura, da memória e da cultura regional.

 

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IDEOLOGIA E DIGNIDADE DE ADONIAS FILHO – Por Cyro de Mattos

Em suas criações literárias, Adonias Filho movimenta-se como resultado da união harmoniosa nascida da inspiração e transpiração. Uma técnica moderna que o autor concebe e executa para montar suas histórias imprime na escrita atraente uma densidade dramática, tão dele, que preenche o conteúdo com várias dimensões, formado de conflitos, já demonstrando seu discurso coeso a intenção de romper com os elementos da cronologia linear, de princípio, meio e fim, sempre presentes no texto previsível constituído de acontecimentos excepcionais das narrativas tradicionais. Na escrita mítica, de expressão elíptica, pulsa um estilo nervoso, tantas vezes poético, carregado de significados e abrangências que ultrapassam a realidade imediata.

A obra literária motivada por certa região enfoca o peculiar de determinada cultura, tendo por fundo um cenário típico, cujas condições refletem-se no conteúdo da narrativa, conferindo-lhe nota especial. Os estudiosos dizem que o que faz uma obra regional é o fato de mostrar-se presa, em sua matéria narrativa, a um contexto cultural específico, que se propõe a retratar e de onde vai haurir a sua substância. Isso não a impede de adquirir sentido universal, em função de seu significado portador de humanidades, sentimento do mundo, mensagem vertical da existência, fazendo com que ultrapasse as fronteiras da região retratada.

É o caso desse consagrado narrador, muitas vezes um criador de histórias que tem como cenário a região cacaueira baiana na época da infância quando a selva era impenetrável e hostil. Percebe-se nesse artesão da linguagem uma moderna forma de ser contada a história, harmonizada com a representação das essencialidades da criatura, as quais são retiradas do ambiente onde habitam.

Esse narrador de estilo sincopado e poético é uma das vozes fundamentais da melhor literatura de todos os tempos. Influenciado pelos dramaturgos gregos, Shakespeare, o cinema, do fundo trágico de seus romances, novelas e contos emanam personagens em cujos passos e travessias ressoam os sortilégios da morte através de entonações bíblicas.

Sua arte literária é um corpo vivo decorrente de sentimento humano trabalhado em nível do estético, metáfora aguda da vida, como forma de conhecimento do outro mais o mundo. Emerge de acontecimentos que o escritor captou, em suas auscultações no interior da vida ou que tomou conhecimento através da fala dos mais velhos, principalmente quando a história recriada é desenvolvida na infância da região cacaueira baiana. Tudo que escreveu como ficcionista reveste-se de qualidades expressivas.

Digamos que a liberdade como valor do comportamento humano é a condição essencial para o exercício da vida. A vocação criadora do sujeito sucumbe sem ela. Desvia-se do caminho que o leva para a democracia.  Era essa a crença de Adonias Filho como um homem político, intelectual que pensa e sente a arte de governar os povos na difícil e misteriosa lei da existência. Seu pensamento é contrário aos regimes totalitários, nos quais uma classe de governantes detém o poder, tornando-se uma nova classe, que domina e dirige, dita as normas para que todos cumpram, sem possibilidade de efetuar o diálogo franco e a crítica livre. E dela tira proveito como uma classe dotada de privilégios. Era contrário, portanto, que fosse instaurado no Brasil o regime autoritário no qual a classe proletária fosse a beneficiada no contexto socioeconômico e político. Isso se opõe à própria índole do nosso povo, que no curso da história lutou pela liberdade e procurou preservá-la no sentimento de mundo sob vários aspectos.

A liberdade nasce com o homem, é da própria índole do povo brasileiro. Nasceu com o povo, que é dela herdeiro de um bem indisponível.   É parte fundamental de seu instinto e do seu caráter, gerando no complexo social a própria personalidade nacional e, por extensão, demonstrando que o povo assim já dispõe de vocação democrática.

“A liberdade e o humanismo se fundem como se um estivesse a mover o outro”. (In: A nação grapiúna, editora Tempo Brasileiro, Rio, 1965, p. 9).

Para Adonias Filho, fora da liberdade todos os resultados são condenáveis.

“O homem nasce senhor de si mesmo, livre em sua consciência e seu trabalho, nessa liberdade todo o direito, toda a ordem, toda a justiça, a segurança inteira da sociedade.” (In: A nação grapiúna, p.  10)

Achava que na liberdade se contém a própria inteligência com a sua função intelectual.

“A liberdade exige a luta contra a censura ideológica, contra o comando do partido único nas artes e nas ciências, contra o bloqueio cultural, ainda hoje oprimindo povos e humilhando o homem.” (In: A nação grapiúna, p. 22)

No entanto, se no regime totalitário, de extrema esquerda com base na ideologia marxista, a liberdade é algemada pela classe que detém o poder e dita a norma para que todos obedeçam, em campo oposto, de extrema direita veemente, tal fato de caráter niilista não deixa de acontecer. Aqui também, nesse sistema político organizado oposto ao regime comunista, tudo é censurado e controlado para que as ideias e a utopia não funcionem como ameaças ao regime instalado.

Setores da intelectualidade brasileira sempre acharam que Adonias Filho era um bom romancista em qualquer boa literatura, mas seu credo político de direita não passava de grave equívoco. O autor de Memórias de Lázaro defendia o direito de liberdade e expressão, mas combatia com as armas da inteligência quando de sua concepção política divergia-se, argumentavam seus opositores.  Cobravam dele uma postura política coerente, humana e verdadeira.

Tentavam tirar o foco sobre o romancista esplêndido para o do homem político, discutível, nivelando dimensões diferentes para subtrair o valor literário e ferir a construção estética de um projeto bem-sucedido.

Adonias Filho era um homem sem vaidade, inveja, não guardava ódio. Elegia a generosidade e o diálogo proveitoso na discussão dirigida para colher os bons frutos da vida. Muitas vezes se incompatibilizara com generais e coronéis para que soltassem artistas da esquerda presos.  E sempre conseguia, apesar de que muitos escritores tidos como da extrema esquerda denunciarem companheiros, à época, levando-os à prisão e ao exílio.

Mas o que importa mesmo não é o seu credo no regime político de direita com bases democráticas, mas a sua condição de escritor que inventou com engenho e arte uma das obras mais importantes da ficção brasileira. Deixando de lado um dos momentos de sua fase de adolescente político, militante da direita, o que vale é a visão pertinente de um dos maiores intérpretes da natureza humana sob o pesadelo de sangue e de servidão da morte. Sua dicção, ora com entonação bíblica, ora em mergulhos profundos no existencial entrelaçado com o regional, enfatiza o trágico, mas exalta também o lírico, como se vê em algumas narrativas primorosas de Léguas de promissão e Largo da Palma.

 

Referência 

FILHO, Adonias. AMADO, Jorge.  A nação grapiúna, Discursos na Academia  Brasileira de Letras, Editora Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, 1965.

BERTIÉ, Ludmila. Adonias Filho – a força da terra, Editora Solisluna, Lauro de  Freitas, Bahia, 2015.

ELLISON, Fred. Adonias Filho, in Dictionary of literary biography, volume One

Hundred Forty-Five, Modern latin-american fiction writers, Detroit, A Brucccoli

Clark Layman Book Gale Research Inc. Detroit, Washington, D. C., London,

  1. (pág. 10).

MATTOS, Cyro de. As criações de Adonias Filho, Edição da Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro, 2017.

 

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MATÉRIA – Literatura, sensibilidade e espiritualidade

 

Pedro Dhones Rodrigues da Silva é um jovem escritor natural de Pau Brasil, no sul da Bahia, que vem se consolidando como uma voz sensível e original da literatura brasileira contemporânea. Estudante de Ciências Econômicas na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e de Administração pela UNOPAR, encontrou na escrita o espaço mais autêntico para expressar uma mente criativa, intensa e profundamente reflexiva.

Diagnosticado com autismo, TDAH e Síndrome de Tourette, Pedro transforma a neurodivergência em potência criadora. Sua literatura nasce de uma percepção ampliada do mundo, marcada pelo hiperfoco, pela sensibilidade emocional e por uma forma singular de interpretar a realidade.

Em Mil Vidas em Um Ano Só, seu romance, Pedro Dhones constrói uma narrativa que mistura romance histórico, espiritualidade, misticismo e filosofia. A obra acompanha a trajetória de Frederick e Lina, duas almas presas a um destino que se repete ao longo da história da humanidade, atravessando séculos, impérios, culturas e religiões , da Lapônia ancestral às ruas modernas de Avignon.

A narrativa reflete sobre o tempo, o amor, o perdão e a busca por sentido diante da dor, com uma linguagem refinada, envolvente e de forte dimensão imagética. O místico e o humano coexistem na obra, e a alma se apresenta como verdadeira protagonista.

O livro dialoga intimamente com as vivências do próprio autor, especialmente com a sensação de viver “mil vidas em um só corpo”, o peso das memórias, a fragmentação emocional e a permanente necessidade de recomeçar. Mais do que uma narrativa ficcional, a obra se estabelece como uma reflexão sobre a natureza espiritual e emocional do ser humano.

Pedro Dhones Rodrigues da Silva representa uma nova geração de escritores que unem sensibilidade, reflexão e compromisso social, afirmando a literatura como espaço de elaboração interior, pertencimento e transformação.

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NOTA DE PESAR – Dr. Baldoino Lopes de Azevêdo (1940–2025)

A Academia de Letras de Itabuna (ALITA) manifesta seu mais profundo pesar pelo falecimento do médico, filantropo e humanista Dr. Baldoino Lopes de Azevêdo, ocorrido nesta terça-feira, 23 de dezembro de 2025, aos 85 anos, em decorrência de complicações clínicas, após longo tratamento contra o câncer.

Nascido em 24 de abril de 1940, na cidade de Jequié, Dr. Baldoino fixou-se em Itabuna, onde construiu uma trajetória marcada pelo pioneirismo, pelo compromisso com a saúde pública e pela solidariedade. Foi um dos primeiros médicos a atuar em Itabuna, tornando-se referência ética e profissional, respeitado em toda a região sul da Bahia.

Seu legado, no entanto, foi além dos consultórios e laboratórios. Em 1988, fundou a Fundação Dr. Baldoino Lopes de Azevêdo, no bairro de Fátima, que se tornou referência e cuidado para idosos, crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Reconhecendo a grandeza desse trabalho, a ALITA teve a honra de homenageá-lo em vida, por meio da Medalha Jorge Amado – Edição 2025, concedida à Fundação, fruto de uma indicação do escritor Cyro de Mattos, presidente de honra da Academia. O reconhecimento foi um sinal de gratidão pública a uma vida dedicada à dignidade humana.

Neste momento de dor, a ALITA se solidariza com os filhos Kátia, Alexander e Fernanda, com a esposa e toda a família, bem como com os colaboradores e assistidos da Fundação que leva seu nome. Itabuna perde uma de suas figuras mais admiráveis e generosas.

 

Raquel Silva Rocha
Academia de Letras de Itabuna – ALITA
23 de dezembro de 2025

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Academia Brasileira de Letras publica livro de Cyro de Mattos sobre o escritor Adonias Filho

Reunindo onze ensaios, o livro As Criações de Adonias Filho, de Cyro de Mattos, acaba de ser publicado pela Academia Brasileira de Letras na Coleção Austregésilo de Athayde, com prefácio do professor doutor Marcus Mota, da Universidade de Brasília. Contista, cronista, poeta, romancista, ensaísta, autor de livros infantis e juvenis, este é o segundo livro do escritor Cyro de Mattos na área do ensaio, o primeiro foi A Anotação e a Escrita.

O livro As Criações de Adonias Filho apresenta os seguintes ensaios: Trilhas do Homem, Um Criador da Literatura do Cacau, Regional de Alcance Universal, Da Linguagem Romanesca, Mares Trágicos da Bahia e África, Contra a Noite sem Madrugada, Seis Prosas Urbanas de Ficção Breve, Um Forte de Magias e Mitos, Representação do Negro, Indianismo Adoniano e O Mito na Selva Grapiúna.

Além disso, a obra traz, no final, uma cronologia sobre fatos marcantes na vida do consagrado romancista, nascido em Itajuípe, ex-membro da Academia Brasileira de Letras, a relação de suas obras, e um levantamento de obras de e sobre Adonias Filho, muito útil.

No prefácio, o professor, doutor e escritor Marcus Mota observa:

“Creio que este livro é uma grande contribuição para tornar acessível a obra de Adonias Filho, ao balancear atenta escolha de trechos dessa obra com comentários pertinentes e bem propostos. É, novamente, livro de escritor sobre escritor, com todo o cuidado e devoção de alguém que dedicou sua vida para a literatura. Creio que não pode haver melhor homenagem: ser lido por alguém que de fato ama escrever.”

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Academia de Letras de Itabuna participa de Audiência Pública na Câmara Municipal de Itabuna

A Academia de Letras de Itabuna (ALITA) participou, na manhã de sexta-feira (24/10/2025), da Audiência Pública realizada pela Câmara Municipal de Itabuna para discutir a criação do Projeto de Lei de Patrimônio Histórico, Cultural e de Tombamento do Município.

O encontro, convocado pelo vereador Clodovil Soares (PL), reuniu autoridades, professores, representantes de instituições e estudiosos da memória e da cultura grapiúna, no Plenário Raymundo Lima.

A presidente da ALITA, Raquel Rocha, representou a instituição na mesa de honra e ressaltou, em seu pronunciamento, a importância da preservação da memória coletiva e dos registros históricos da cidade. Em sua fala, lembrou os documentários que dirigiu sobre a antiga estrada férrea Ilhéus–Itabuna, sobre o bairro de Ferradas e os 100 anos de Itabuna, destacando as dificuldades encontradas na busca por arquivos e registros. “Itabuna preserva pouco da sua história, e por isso este momento é tão importante. A maior dificuldade que encontrei, ao fazer documentários sobre a cidade, foi justamente a ausência de registros. Cuidamos pouco da nossa história, e é preciso mudar isso. A preservação da memória é o que assegura o futuro de uma cidade” afirmou a presidente Raquel Rocha

Durante a audiência, o vereador Clodovil Soares destacou a relevância do tema para o desenvolvimento urbano e cultural do município, enfatizando que o patrimônio histórico é parte essencial da identidade itabunense. “Preservar e conservar a imagem da nossa cidade, forjada na opulência do cacau, nas histórias de Jorge Amado e na poesia de Cyro de Mattos, é mais do que zelar por tijolos e concreto. É um ato de profundo respeito pela nossa história urbana e social”, declarou o parlamentar.

A secretária de Infraestrutura e Urbanismo, Sônia Fontes, representando o prefeito Augusto Castro, reafirmou o compromisso da gestão municipal com a recuperação de áreas degradadas e com a valorização dos espaços públicos: “Preservar o patrimônio histórico é essencial, mas também é necessário cuidar do patrimônio que está sendo construído. Essa missão nasce do sentimento de pertencimento e do amor à cidade”, disse.

Também integrante da ALITA e diretora do Centro Cultural Teosópolis, a professora Janete Macedo teve participação de destaque na audiência. Em sua fala, ela relatou a atuação da comissão “ALITA em Ação”, criada pela Academia após a demolição do sobrado histórico de Firmino Alves. Segundo Janete, a ALITA foi a primeira instituição a se manifestar publicamente sobre o episódio, publicando uma nota de repúdio e encaminhando ao Ministério Público uma notícia de fato redigida pelo confrade Sérgio Habib. A professora também defendeu a educação patrimonial como ferramenta essencial para despertar o sentimento de pertencimento nas novas gerações: “A gente ama o que conhece. Se os jovens não conhecerem Itabuna, esse amor vira apenas um slogan. É preciso ensinar a ver, a reconhecer e a valorizar o lugar onde se vive.”

Janete apresentou ainda o trabalho do Centro Cultural Teosópolis e do grupo de estudos que vem produzindo um levantamento detalhado do patrimônio arquitetônico da cidade, alertando para o risco de demolições recorrentes de bens históricos. Exibindo imagens de casarões desaparecidos, ela lembrou que “não basta reconstruir ou criar leis; é preciso formar consciência e educar para o cuidado”.

Ao final da audiência, foi encaminhada a proposta de criação de um Marco Regulatório para a preservação e o tombamento do patrimônio histórico e cultural de Itabuna, integrando o poder público, universidades e entidades civis em um esforço conjunto pela valorização da memória local.

Participaram ainda os vereadores Ronaldão (Republicanos), Sivaldo Reis, Babá Cearense e Paulinho do Banco; os professores Antônio Balbino (UESC), Flávio Gonçalves (ANPUH-BA), Josanne Morais (AGRAL) e o ex-reitor da UESC Aurélio Macedo; além do médico Silvio Porto (Academia de Medicina de Itabuna), o advogado Murilo Reis (OAB Itabuna), representantes das lojas maçônicas Areópago Itabunense e Antônio da Silva Costa, o jornalista Paulo Lima, a chefe de Planejamento da FICC Bruna Setenta, professores, estudantes e convidados.

A presença da Academia de Letras de Itabuna reforça o compromisso da instituição com a preservação da memória cultural e histórica da cidade, missão que integra suas ações literárias, acadêmicas e documentais em favor da identidade grapiúna.

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DISCURSO — MEDALHA JORGE AMADO À FUNDAÇÃO DR. BALDOINO LOPES DE AZEVÊDO – Por Silvio Porto de Oliveira

Academia de Letras de Itabuna — 23 de outubro de 2025

Senhoras e senhores, confrades e confreiras, autoridades, amigos da comunidade, colaboradores e residentes do Lar dos Idosos: boa noite.

 Hoje a Academia de Letras de Itabuna abre o coração para celebrar uma obra que honra a nossa cidade com gestos diários de humanidade. Ao conceder a Medalha Jorge Amado à Fundação Dr. Baldoino Lopes de Azevêdo, a Academia reconhece um trabalho que transforma a palavra “solidariedade” em prática cotidiana — silenciosa, constante e luminosa.

A história que aqui reverenciamos começa em abril de 1988, quando a Fundação nasce voltada às crianças carentes do bairro de Fátima, pela Creche Pequeno Lar, com aulas e regime de semi-internato. Dois anos depois, em 1990, vem a Escola Estadual Dr. Aníbal Muniz Silvany, fruto de um convênio com a Secretaria de Educação do Estado da Bahia. Foram dez anos de serviço abnegado até que, diante do aumento da evasão escolar, a instituição — com sabedoria e fidelidade à sua missão — ajusta a rota.

É então que o médico e presidente da Fundação, Dr. Baldoino Lopes de Azevêdo, volta o olhar para outra fronteira de cuidado: o idoso em vulnerabilidade. Levanta apartamentos e enfermarias no conhecido Lar dos Idosos, que hoje abriga 73 pessoas em regime de internato. E faz questão de reafirmar: a Fundação não é casa de saúde; é uma instituição social — um lar que devolve pertencimento, segurança e afeto a quem mais precisa.

Essa obra nos comove porque se sustenta em dois pilares que definem a grandeza de Itabuna: trabalho e ternura. Trabalho, para manter o cuidado especializado funcionando todos os dias, sem feriado para a dignidade. Ternura, para que cada idoso seja chamado pelo nome, ouvido nas suas memórias, respeitado nas suas escolhas, amparado nas suas dores e convidado a recomeçar.

Ao evocarmos Jorge Amado — que fez do nosso chão grapiúna um território universal — lembramos que a literatura nasce do humano. E não há literatura mais alta do que salvar a dignidade de um semelhante. Nas páginas vivas da Fundação, cada quarto é uma crônica; cada gesto, um capítulo; cada sorriso restituído, um desfecho feliz que a vida insistiu em escrever.

Dr. Baldoino, receba nesta noite a gratidão de Itabuna. Na pessoa do senhor, a Academia saúda toda a equipe — dirigentes, colaboradores, voluntários e parceiros — que faz do Lar dos Idosos um abrigo de corpo e alma. O senhor nos ensina que medicina e compromisso social não se excluem: se completam. Que o bisturi da competência e o abraço da compaixão podem e devem caminhar juntos.

Por tudo isso, em nome da Academia de Letras de Itabuna, tenho a honra de conferir a Medalha Jorge Amado à Fundação Dr. Baldoino Lopes de Azevêdo, pelo conjunto de relevantes serviços prestados à nossa comunidade. Que esta medalha seja mais do que um reconhecimento: seja um abraço público da cidade aos que cuidam de seus velhos com profissionalismo e calor humano.

Que sigamos, inspirados por este exemplo, plantando árvores de cuidado em cada rua de Itabuna — porque quem cuida de gente cuida da história, e a história que cuidamos hoje é o futuro que desejamos colher.

 

Muito obrigado.

Silvio Porto de Oliveira

23/10/2025

 

 

HOMENAGEM AO DEDICADO MÉDICO

  1. BALDOINO LOPES DE AZEVÊDO

 

 

“Por sua dedicação incansável e cuidado compassivo, expressamos nossa profunda gratidão pelo compromisso em proporcionar atendimento humanizado, que tem feito a diferença na vida de idosos em situação de vulnerabilidade e de risco pessoal e social.”

 

 

Silvio Porto de Oliveira

Academia de Letras de Itabuna — 23/10/2025

 

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