NOTA DE PESAR – João Augusto Alves de Oliveira Pinto

A Academia de Letras de Itabuna – ALITA manifesta seu profundo pesar pelo falecimento do desembargador João Augusto Alves de Oliveira Pinto, ocorrido na madrugada desta terça-feira, 19 de agosto de 2025.

Natural de Itabuna, João Augusto Pinto formou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1977, onde também concluiu o mestrado em 1996. Ao longo de sua sólida carreira no Judiciário baiano, exerceu a magistratura em diversas comarcas do estado — entre elas Santa Terezinha, Uruçuca, Feira de Santana, Itabuna e Santo Amaro — sendo promovido por mérito à capital em 1994, onde passou a integrar a Corte do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

João Augusto Alves de Oliveira Pinto foi exemplo de retidão, equilíbrio e dedicação à causa da Justiça. Seu legado permanece não apenas nas decisões que proferiu, mas também no respeito que conquistou entre colegas, servidores e cidadãos.

Neste momento de dor, a ALITA se solidariza com toda a família enlutada, desejando força, serenidade e consolo.

Raquel Rocha
Presidente

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NOTA DE REPÚDIO- Contra toda forma de violência contra a mulher

NOTA DE REPÚDIO

Contra toda forma de violência contra a mulher

A Academia de Letras de Itabuna – ALITA vem a público manifestar profundo pesar e total repúdio ao crime bárbaro que vitimou três mulheres — Maria Helena do Nascimento Bastos, Mariana Bastos da Silva e Alexsandra Oliveira Suzart — brutalmente assassinadas no município de Ilhéus, no último dia 16 de agosto de 2025.

As vítimas, conhecidas por sua contribuição à educação e à vida comunitária, foram violentamente retiradas do convívio de seus familiares, amigos e da sociedade, em um episódio que choca não apenas pela crueldade dos atos, mas por revelar, mais uma vez, o cenário alarmante da violência contra a mulher no Brasil.

Como instituição dedicada à cultura, ao pensamento e à dignidade humana, a ALITA reafirma seu compromisso com os direitos das mulheres, com a justiça e com o respeito à vida. Não podemos nos calar diante de tamanha brutalidade. A palavra, que é nossa essência, se torna também instrumento de denúncia e de consciência.

Nos solidarizamos com as famílias e comunidades enlutadas, com os profissionais da educação de Ilhéus e com todas as mulheres que seguem enfrentando os riscos e marcas da violência todos os dias.

Conclamamos as autoridades para que conduzam as investigações com celeridade e rigor, para que os responsáveis sejam identificados e punidos com todo o peso da lei.

Itabuna, 19 de agosto de 2025

Raquel Rocha

Presidente

Academia de Letras de Itabuna – ALITA

 

 

 

 

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O AMIGO JORGE AMADO – Por Cyro de Mattos

Enviei o primeiro livro que escrevi para Jorge Amado, seguindo conselho do amigo João Ubaldo Ribeiro, companheiro de geração. Não esperava que viesse alguma opinião dele sobre o meu pequeno volume de contos, riscado anos depois de minha bibliografia por ter sido escrito por autor imaturo. O texto envelheceu cedo. Fiquei surpreso por ver um livro de autor desconhecido ser apresentado à Academia Brasileira de Letras com palavras favoráveis do consagrado romancista Jorge Amado.

Outros livros meus foram merecedores de artigos com elogio por parte de Jorge Amado. Eram opiniões impressionistas, mas abonadas com a sensibilidade de quem mais conhece os caminhos do fazer literário na recriação da vida. E mais: ele publicava os artigos que escrevia sobre meus livros em jornais importantes como A Tarde, Jornal de Letras (Rio), Suplemento do Jornal do Brasil, Jornal do Comércio (Rio) e Suplemento Literário de Minas Gerais.

Esses gestos do criador de Tocaia Grande (Record,1984) aconteceram com outros escritores, emergentes, com obra em andamento, consagrados, baianos ou não. Ele sempre enriquecia o companheiro de letras com suas opiniões, sem esperar nada em troca. Prefácios, orelhas, artigos, depoimentos, apresentações à Academia Brasileira de Letras, um legado literário da melhor qualidade está aí espalhado com o abono do escritor tão lido e traduzido em língua portuguesa sobre livros de nossos escritores. Textos que formam um valioso legado, se coligidos, servindo como importante contribuição à nossa literatura.

Com João Ubaldo Ribeiro era diferente. Certa vez, o autor maiúsculo do romance Viva o povo brasileiro (Nova Fronteira, 1984), disse-me que não escrevia prefácio ou artigo para quem recorresse aos seus préstimos porque podia não gostar do livro e aí o suplicante, que certamente queria receber elogio, poderia com a sua sinceridade se tornar um inimigo dele. Além disso, não queria se desconcentrar de seu ofício, sempre estava escrevendo um livro ou texto, não ia deixar de lado o que estava escrevendo e centrar-se sobre quem devia abrir seus próprios caminhos com suas ferramentas e crenças, sem se apegar na muleta alheia, mas acreditando nas suas qualidades.

Neste sentido, sempre concordei e respeitei as atitudes de João Ubaldo. Ele se tornou um dos meus amigos prediletos, criatura do bem, espírito alegre, colega inesquecível da turma de 1962, na Faculdade de Direito da UFBA. Nunca quis me aproveitar de meu bom relacionamento com o consagrado ficcionista e receber dele a opinião favorável de meus escritos. Fiz minha carreira literária com os meus textos publicados em livros, meus prêmios relevantes, que tornaram minha obra com mais visibilidade. Enviei em vários casos os originais de meus livros para as editoras, sem temer que fossem aprovados ou não para publicação, depois da leitura crítica do conselho editorial.

Ao escrever sobre Palhaço Bom de Briga (L&PM Editores, 1993), um dos meus livros para as crianças, em artigo publicado em forma de missiva, dirigida ao romancista Josué Montelo, então presidente da Academia Brasileira de Letras, Jorge Amado chegou ao ponto de lembrar meu nome para fazer parte daquela importante instituição das letras brasileiras. Houve exagero. Só mesmo Jorge, com o seu coração doce como mel de cacau, podia distinguir assim meu nome, em gesto que comovia, servia como incentivo para que eu nunca desistisse em minha jornada literária. Embora eu já fosse autor nessa época de mais de vinte livros, entre volumes de contos, poesia e literatura infantojuvenil. Havia conquistado alguns prêmios literários importantes e, entre eles, o Prêmio Nacional Afonso Arinos da Academia Brasileira de Letras, por unanimidade, para o meu livro Os Brabos (Civilização Brasileira, 1979), o da Associação Paulista dos Críticos de Artes para O Menino Camelô (Atual Editora, 1992, 12ª. Edição), Menção Honrosa do Jabuti para Os Recuados (Editora Tchê!1987) e várias vezes fui agraciado com o primeiro lugar nos certames promovidos pela União Brasileira de Escritores (RJ).

Jorge Amado exercia a amizade como uma coisa nata, tão dele. E me mostrava sempre que com as mãos nas mãos, o gesto desprovido de interesses pessoais, desligado da religião do egoísmo, tudo fica mais fácil. Com ele não entravam no exercício da vida a inveja e a intriga. Dava-me conta por isso que existia ainda o homem simples como o artista, embora fosse comum encontrar na vida o artista vaidoso e invejoso como o homem.

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CONVOCAÇÃO – ASSEMBLEIA GERAL

EDITAL DE CONVOCAÇÃO – ASSEMBLEIA GERAL

A Academia de Letras de Itabuna, com sede na Reitoria da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), situada à Praça Jose Bastos s/n, Centro, Itabuna Estado da Bahia, por ordem da presidente Raquel Silva Rocha, no uso de suas atribuições, convoca os membros efetivos para a assembleia  geral  ordinária, a realizar-se no dia 16 de setembro de 2025, na modalidade online, 19:00, em primeira convocação, com a presença da maioria absoluta dos votantes e, em segunda convocação, 20:00 com qualquer número de presentes conforme preceitua  o artigo 12, parágrafo único do Regimento da ALITA , com a seguinte Ordem do Dia:

  1. Leitura e aprovação da ata da reunião anterior.
  2. Atualizações sobre a gravação dos documentários com os membros.
  3. Informativo: redução do valor da mensalidade.
  4. Informativo: compêndio Biográfico- Volume 1
  5. Informativo: posse dos Novos Membros
  6. Informativo: conquista da Utilidade Pública
  7. Informativo: medalha Jorge Amado
  8. Membros Ausentes
  9. Informativo da Tesouraria: inadimplência
  10. Declaração de vacância
  11. Assuntos gerais (O que ocorrer).

Este Edital será publicado no site Academia de Letras de Itabuna.

Itabuna, 15 de agosto

 

Eliabe Izabel de Moraes

Primeira Secretária

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SEMPRE ALERTA – Por Silvio Porto de Oliveira

Sempre Alerta!

Naquele tempo em que a infância ainda cabia nos pés descalços e nos olhos curiosos, eu fui Lobinho. Tinha dez anos e o mundo era uma grande trilha a ser desbravada com coragem e alegria. Nosso Akelá – o guia da alcateia, o sábio da floresta das histórias de Kipling – chamava-se Baracat. Nome forte, rosto severo, mas com um coração que sabia sorrir quando via um de nós aprender algo novo.

Aos sábados, vestíamos o uniforme como quem se revestia de um sonho. Lenço no pescoço, meias até o joelho, boné com a insígnia bordada. Aquilo não era só pano e emblemas: era símbolo de pertencimento, de honra infantil. A disciplina vinha como vento que molda, e nossos pequenos corpos aprendiam o valor do esforço, do cuidado, da prontidão.

A estrutura dos Escoteiros da época era firme como tronco de jequitibá. O Major Dórea, figura imponente, coordenava tudo com olhar atento, disciplina militar, mas sempre justo. Sob seu comando, aprendíamos que a obediência não era submissão, mas escolha de caminho.

Foi como Lobinho que fiz minha primeira comunhão. Um momento sagrado vivido entre irmãos de lenço e promessas. Lá estavam Wandick, Bob, Nando, Carlos Auad, Samuel Luna… Nomes que ainda hoje sopram lembranças doces. A celebração foi na capela da Ação Fraternal de Itabuna — templo simples, mas repleto de fé e vozes suaves. A luz da manhã atravessava os vitrais e repousava sobre nossas cabeças como bênção invisível.

Lembro que, antes de comungar, revimos o nosso lema: “Sempre Alerta!”. Palavras curtas, mas com a força de um grito de vida. Estar alerta era mais do que vigiar: era viver com presença, respeitar o outro, estar pronto para servir.

Não foram apenas nós que crescemos naquela época. Foi também o caráter, a amizade, o espírito de coletividade. Fomos moldados na madeira dos bons valores, na rocha da fraternidade e no riso que brotava fácil, mesmo depois de uma trilha difícil ou uma tarefa malfeita.

Hoje, ao lembrar daquela alcateia, meu coração ainda se põe em formação. E o menino que fui continua ali, com o lenço no pescoço e os olhos brilhando, pronto para repetir o grito de guerra da infância que nunca nos deixou:

— Sempre Alerta!

Silvio Porto de Oliveira.
Em 02/08/2025

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GURIATÃ, O INTÉRPRETE (II) – Por Rilvan Santana

Guriatã, o intérprete (II)

R. Santana 

 

    Os poetas cantaram muito em seus versos o sabiá, o bem-te-vi, o zabelê, o curió, o beija-flor, o colibri, asa-branca, pombo-correio, pássaro-preto, rouxinol, mas eles foram um pouco injusto com o único intérprete da mata, para uns, guriatã, gurinhatã, guriatã-de-coqueiro; para outros, tico-tico-do-campo, gaturamo e baíra-amarela e para o douto: “Euphonia violacea”, Ammodramus humeraralis”, “Tangara cayana”, a mim que não sou doutor nem regionalista: “Guriatã, o intérprete”, pois o pequenino pássaro, o cantor da orla e da mata, imita com perfeição todos os outros.

     Em 1610, o padre português Jacome Monteiro, escreve ao rei de Portugal: “É o pássaro mais músico de quanto há nesta Província, porque arremeda a todos os mais, e por isso o chamaram de “guiranheenguetá”, que quer dizer pássaro que fala todas as línguas de todos os mais pássaros”. São mui prezados. Estes são os que de ordinário se conservam cá em gaiolas”.
     Moleques, nós embrenhávamos nas matas do cacau com gaiola de talas de bambu ou gaiolas de cortiça e taquara, pendurada no dedo ou na palma de uma das mãos e alçapão na outra. Quando não tínhamos dinheiro para comprar alçapão, lambuzávamos um galho com visgo de jaca com iscas de banana, milho ou milho-alpiste, escondíamos à distância, não levava muito tempo, o passarinho esperneava-se grudado no visgo pedindo socorro!…

      Naquela época, os moleques se dividiam em grupo de ideias de gente grande e o grupo de amadores. O grupo mais profissional, o de gente grande, só criava curió, canário, pássaro preto, sabiá; o outro, o amador, que valorizava o prazer, o divertimento, a brincadeira e não o dinheiro, pegava o pintassilgo, a rolinha, o bem-te-vi, o sanhaço e o guriatã… caiu na rede era peixe, minto, caiu no alçapão era passarinho…

      Não me incomodava com a sujeira (cocô) que o guriatã fazia na gaiola, a minha mãe Judite é que não ficava prosa, porém, o seu canto quebrantava-lhe o ânimo. Se por descuido deixasse a gaiola aberta e o guriatã batesse asas, ela rendia homenagem ao pássaro, cantarolando a composição “Guriatã de Coqueiro” de Severino Rangel de Carvalho, o Ratinho, cantor e compositor paraibano da dupla Jararaca e Ratinho de tempos idos:

 

“… Eu não sei por que motivo
     Guriatã foi-se embora
     Foi-se embora e me deixou
     Também a minha viola
     Companheira inseparável
     Que minha mágoa consola”

      Porém, se a minha intrusa peraltice invadisse esse momento, corrigia-a para distante ouvir a minha musa, a minha tia, a mulher que me criou voltar a cantarolar:


     “…Vou fazer uma promessa
     Ao meu santo protetor
     Pra fazer ele voltar
     Esse pássaro cantador
     Pra alegria do meu rancho
     Que nunca mais se alegrou”,

          Hoje, os tempos se foram, os cabelos loiros encaneceram, mas no espírito o moleque permanece, também, os cuidados daquela avezinha de muitos cantos, de penas de azul escuro brilhante em cima e penas amarelas ao longo do corpo e na fronte da cabecinha, uma coroinha de penugens cor de ouro que Deus colocou, longe no tempo, ouço viva a voz de minha mãe Judite:

 

  “Guriatã de coqueiro
     Bateu asas e foi-se embora…”

 

 

Autor: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna – ALITA

Imagem: Google

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VERSOS DESNUDOS — POEMAS EM TEMPOS TENSOS, DE AGENOR GASPARETTO – Por Tica Simões

Maria de Lourdes Netto Simões

 

São 40 poemas ‘desnudos’,  com olhares sobre esses ‘tempos tensos’.    E como? ‘Desnudo’ é mesmo palavra-chave. Seja pela apresentação despojada do livro  com uma capa branca, sem desenhos ou outras cores;  seja por uma estrutura sem os paratextos costumeiros; seja pelos versos livres. Esses são, já, uma forma de  “fala” do olhar.  

  O processo de criação poética ocorre sem consultar, como revelado em  Inspiração, poema que abre o livro.  Surge   Musa atrevida ,   pedra bruta a versejar.  Assim  acontece a Poesia, inesperadamente, motivada por questões muitas, fruto de observações, sensações, sentidos…  Esses dois primeiros poemas  sinalizam o processo criador,   e como que anunciam, introduzem o subtítulo:  poemas em tempos tensos.

Daí, a estrutura do livro  vai se configurando em relação à proposta “desnuda” do fazer literário.  Tematicamente, os poemas dizem das linguagens, dos materiais, dos temas, dos focos das problemáticas que os olhares enxergam no processo da vida, e em tempos difíceis…

A  cada foco, a linguagem cresce em possibilidades que provocam:  nuances, sentidos, intertextualidades, “ditos” que se aproximam da oralidade…     E a estrutura do livro se resolve entre os focos dos elementos da natureza: Terra, Agua, Fogo e Ar, intercalados por poemas acrescentadores do tema geral.  Cinco  poemas  integram  cada foco que formam os blocos temáticos. Caminhos é um bloco que se acrescenta aos quatro elementos,  enfatizando as escolhas  nos tempos difíceis.    

Nos poemas do elemento Terra, titulado  Pedras,  destacam-se  recursos de sinonímia, comparação por metáfora ou analogia, oralidade: …Rocha…Calhau…Cascalho… ‘Dormir como pedra’…. As intertextualidades acrescentam a significação, como no poema IV, com Drummond, Pedra no Caminho ;  pedra sobre pedra .

A seguir esse primeiro foco, outros poemas apresentam títulos temáticos que provocam analogias e promovem reflexões:    ProfundezasInfinitos profundos/ Abismos sem fim […] SolidãoDistânciasDa indiferença humana  […]  Da ausência de sentido. Pesado e LevePesado/ qual  consciência […] Leve / qual sono inocente; E os poemas abordam também as formas de espiritualidade e religiões que, para alguns, funcionam como muletas.  Tábuas da Lei:  Duas pedras,  dez mandamentos […] frágeis, quebradiças; Vida PenitenteReligião/ Pecado […] Condenação / Penitência. Estado de Graça: Alma flutuando […] Andar leve. Velhice Abandonada: Labuta incansável […] Rugas na alma. Magia e Milagre: Divino milagre da vida.  Somente, aqui, citando alguns poemas.  Os demais seguem em similar estratégia de produção textual, aprofundando o foco da existência sobre questões éticas, do mundo virtual fachada esplendorosa. O sem sentido da guerra, mortal, desalmada.  Reflexão sobre o Tempo,  momentos de uma vida que é  tão breve. Se cicatriza rusgas, também  cria memórias. E observando a natureza, vê nela  divino milagre da vida

No  segundo bloco,  Águas, a oralidade fica também ressaltada pelos ditos populares   –  tirar água de pedra -, nos  cinco poemas.  As intertextualidades, com propriedade,  remetem a Fernando Pessoa (“Rio da minha aldeia”), Heráclito,  Baumman, Tom Jobim… nesses poemas de Águas, associações intertextuais  com Aguas de março,  induzem ao olhar político:  Águas rasas, profundas [..]  Lavagem de roupa suja

Daí, os Caminhos suscitam reflexões existenciais, relacionados à inexorabilidade da vida, às buscas de cada um:  Ser feliz; escolha de caminhos, incerto risco/ Descaminho ou fortuna ; Fé na Ciência/ Fé na religião.  Dois poemas sobre Guerra traduzem  o seu sentido avassalador, mortal/ desalmada. A perplexidade de pensar: Por quem matar? […] Por quem morrer?…

 Fogo, mais um bloco  tematizado,  é chama de vida;  lutas de cada um: Histórias recontadas/ Memórias revividas. E os “ditos” enriquecem as reflexões: Brincar com fogo/ Lenha na fogueira/A ferro e fogo, e a voz de Guimarães Rosa é chamada em conclusão: Perigoso é viver .  Mas,  do mesmo autor G Rosa,  enquanto leitora, digo: “o que a vida quer da gente é coragem!”.  E parecendo responder, o poema V, com otimismo,  traz Camões – amor é fogo – e também  Raul Seixas: Tente outra vez...

Ar, o último bloco temático:  É bandeira tremulando;  é  Fúria, força, energia é  Don Quixote e os Moinhos de Ventos . Depois, ainda intertextualizando e concluindo, é Mudar de ares … E o Vento Levou .   Entre o céu e a terra, Shakespeare!/ O tempo e o Vento, Érico Veríssimo , diz o poeta: Outros ventos, outros ares, outros mundos/ outros viventes, graças a Deus!

Os poemas, seguintes aos blocos, suscitam o tempo e o seu passar…   Numa sequência quase narrativa, desde  Tempos imemoriais, a Pegadas na areiaMudança no Horizonte… que chega ao Mundo Virtual em que vivemos em Solidão,/ Malancolia, /Vazio.   E em Busca, Buscas sem fim.  Evolução insinua o caminhar da humanidade, que Domou o fogo, a planta, o animal/ Domou a energia, Domou o outro, irmão […] Mais poder, mais riqueza  e a idéia da ambição que norteia a humanidade…   E a inexorabilidade  do tempo  segue,  nos demais  poemas, considerando momentos de magia e trégua, com no Carnaval. Mas o destino é nascer e morrer, Vestir e Despir. O Tempo: Atemporal, imemorial, eterno  .  A ironia é sinalizada  na nostalgia do Passado Glorioso.  Tudo passa… Ficam as Reminiscências, Mergulho nos tempos de criança

Afinal, os cinco últimos poemas, destacados  em italic, trazem esperança.  Falam de Semeaduras e Colheitas. Falam de “sentimentos de sombria e pungente colheita”, aqui e acolá.  A  intertextualidade com   Por quem os Sinos Dobram,  de Hemingway, conclama: “Toquem por eles, toquem sem cessar/ até o pesadelo despertar!”  Com o título de Tolstoi, recorre a Guerra e Paz, mas ironicamente, conclui: “Quem foi que disse que a paz se faz / Com sangue de vidas?”

Sutil e ironicamente, então, a voz poética mostra a sua incredulidade ao propor um recomeçar: “Quem falou em Arca em asa de meteoro?/ Quem falou em ovo novo, de novo? Quem falou serpente mais uma vez? “   

Recomeçar tudo outra vez? O leitor se pergunta!

E o poema que encerra o livro instala a dúvida. Entre a tigresa de Caetano, “de unhas negras/ e íris cor de mel” e a Monalisa de  Leonardo da Vinci, ou mesmo o tigre de Capinam e Macalé,  resta a descrença de mudança “Tormento sem azuis manhãs”

Nesse singular processo criador, por estratégias diversas, narrativizando poeticamente, Agenor Gasparetto  faz, também, a sutil  crítica social a esses  tempos tensos.

 

 

Em agosto de 2025.

 

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Chamada Oficial para Atualização de Contato

A Academia de Letras de Itabuna  está atualizando seus registros e solicita, mais uma vez, que os membros Marialda Jovita Silveira e Naomar Monteiro de Almeida Filho entrem em contato com a instituição para atualizarem seus contatos de e-mail e telefone.

O contato deve ser feito através do nosso e-mail: alitaitabuna@gmail.com ou do nosso Telefone/WhatsApp: (73) 9961-6470.

Este chamado visa garantir a integração plena de todos os membros e fortalecer os laços que unem esta Casa das Letras.

A presença de cada acadêmico é essencial para a continuidade do nosso trabalho em prol da cultura e da literatura Grapiúna.

Diretoria da ALITA
02/08/2025

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HOMOLOGAÇÃO DO RESULTADO DA ELEIÇÃO

Para as Cadeiras nº 4 e nº 37 da Academia de Letras de Itabuna – ALITA

Após a devida averiguação e apuração dos votos, bem como a verificação da lista de votantes — membros da Academia de Letras de Itabuna —, a Diretoria da ALITA torna público o resultado oficial da eleição para preenchimento das cadeiras nº 4 e nº 37.

Foram eleitos:

Jeffson Oliveira Braga

Ademilton Batista Santos

O presente resultado foi homologado em 01 de agosto de 2025, conforme os dispositivos do Estatuto e do Regimento Interno da instituição.

Itabuna, 01 de agosto de 2025

Diretoria da Academia de Letras de Itabuna

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ITABUNA SEMPRE – Por Rilvan Santana

Gente deveria ser igual cidade que o tempo não destroi, mas constroi. O homem quando nasce, nasce bonito, se velho morre, morre pelancudo, murcho, desdentado, envergado, calvo, pele enferrujada, dor aqui, dor acolá, o tempo não perdoa… A cidade nasce com ruas tortas e estreitas, caminhos, casebres de taipas, de adobes, de tijolinhos, esgoto a céu aberto, iluminação precária ou sem iluminação, abastecimento de água improvisado, etc., etc., porém, à medida que o tempo passa, torna-se arquitetada, bonita, atraente, confortável, iluminada, ruas largas, água na torneira, casas planejadas, prédios, arranha-céus, transportes de massa, escolas, postos de saúde, hospitais, segurança pública, justiça, assim ocorreu em Paris, em Londres, em Roma, em Jerusalém, em Washington e em Itabuna.

Itabuna nasceu às margens do rio Cachoeira sob os olhares dos índios aimorés, tupis, tupiniquins e a força econômica dos tropeiros que faziam passagem para Vitória da Conquista na rancharia “Pouso das Tropas” na Burundanga, de José Firmino Alves. O sobrinho do cacauicultor Félix Severino do Amor Divino e filho de José Alves, Firmino Alves, foi o verdadeiro fundador de Itabuna, em 1906 ele doou as terras para sede administrativa do município, antes foi o Arraial de Tabocas, Vila, enfim, Itabuna, desmembrada de Ilhéus em 28 de Julho de 1910 e seu primeiro prefeito o engenheiro Olynto Batista Leone um dos apaniguados do coronel do cacau e político Firmino Alves.

O historiador Adelindo Kfoury registra que Firmino Alves não foi somente um grande fazendeiro, um coronel do cacau, tanto quantos muitos de sua época, mas um homem de excepcional capacidade administrativa, ainda jovem, com a morte do seu pai, mudou-se de Burundanga para o Arraial de Tabocas e construiu na Rua da Areia (Miguel Calmon), uma moradia suntuosa para os padrões da época e um armazém de cacau.

Firmino Alves além de empreendedor, foi um político de quatro costados, desde cedo, articulou junto às autoridades do estado a independência de Itabuna. Alguns anos antes do desmembramento de Ilhéus, Itabuna ainda Vila de 10.000 habitantes, estimulou a vinda de profissionais qualificados, em pouco tempo, engenheiros, médicos, professores, agrônomos, topógrafos, agrimensores, dentre outros profissionais, desembarcaram aqui com a promessa de um novo El Dorado.

Hoje, Itabuna não lembra de longe o Arraial de Tabocas, não é uma metrópole, mas é uma cidade grande: comércio forte, indústria incipiente, agricultura doméstica, sistema de saúde significativo, escolas para todas as faixas de idade, faculdades privadas, universidade, centro administrativo, bom sistema de segurança pública, justiça que atende às demandas, transporte de massa satisfatório, infraestrutura em expansão, ruas e avenidas asfaltadas, arquitetura moderna, uma frota significativa de automóveis e dezenas de bairros em torno.

Porém, a marca principal de Itabuna é o seu povo. Itabuna foi construída por gente simples e ordeira que migrou de outros estados do Nordeste, principalmente, o estado de Sergipe. O itabunense é alegre, bondoso, solidário, prestativo, acolhedor, trabalhador e inteligente. Não é à toa que o forasteiro não se sente forasteiro pouco depois que chega a este pedaço de terra do Sul da Bahia.

A cultura itabunense tem atuação expressiva no cenário nacional. Os nossos poetas, os nossos escritores e os nossos artistas são reconhecidos aqui e lá fora. Não se pode negar a contribuição às letras e às artes de Itabuna, de Jorge Amado, Valdelice Pinheiro, Firmino Rocha, Hélio Pólvora, Cyro de Mattos, Telmo Padilha, Plínio de Almeida, Minelvino Francisco Silva, Walter Moreira, José Bastos, José Dantas de Andrade, Adelindo Kfoury, Jorge Araújo, Ruy Póvoas e tantos outros que a memória e o tempo impedem-me de nomeá-los, mas, eles não têm contribuição menor.

No próximo 28 de Julho, Itabuna completará mais de cem anos de cidade, uma adolescente comparada às suas irmãs de milênios! Mais de cem anos de acolhimento aos seus filhos aqui gerados e aos seus filhos adotados. Mais de cem anos de luta, de intempéries, de espoliações, de estagnação, mas, também de desenvolvimento, de alegrias e vitórias.

Itabuna mãe, madrasta, amiga, Itabuna sempre.

Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons (Recanto das Letras)

Membro da Academia de Letras de Itabuna

 

 

Rilvan Santana

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