Maria Vitoria

DISCURSO DE POSSE NA CADEIRA 37 DA ACADEMIA DE LETRAS DE ITABUNA – ALITA – Por Jeffson Oliveira Braga

Excelentíssima Presidente, da Academia de Letras de Itabuna, confreira Raquel Rocha  

Digníssimos confrades e confreiras da Academia de Letras de Itabuna – ALITA, 

Distintos convidados,

Amigos e familiares,

Senhoras e senhores,

A Deus toda honra e glória, pelo desvelar da verdade e alcance da sua graça, hoje posso viver eternamente, condição primeira referente a imortalidade, agora, também, enquanto novo membro da ilustre Academia de Letras de Itabuna – ALITA. É com grande honra, entusiasmo e emoção, ebulição de sentimentos que encontro diante de todos vocês neste momento único. 

Instituição alçada ao título de utilidade pública do município de Itabuna, que representa espaço de preservação, valorização e divulgação da cultura, literatura e história local. Além de ser um importante fórum de diálogo entre intelectuais, escritores e amantes das letras.

Ao assumir esta posição, não apenas acolho a responsabilidade que ela implica, mas também me sinto profundamente grato pela confiança que me foi depositada. Ainda mais, para tomar assento a cadeira 37 desta nobre Academia, que tem como patrono o incomparável Luiz Gama — homem de letras, de luta e de liberdade.

Luiz Gama, tornou-se símbolo pela inquietude por não se conformar ao status quo da hegemonia intelectual brasileira da época, colocando então, enquanto resistência. Foi autodidata, jornalista, advogado e poeta. 

Libertou, com sua pena e sua coragem, mais de 500 pessoas escravizadas. Sua vida é uma devoção e convocação à justiça, ao saber e à palavra como forma de aproximação da verdade. Que honra carregar esse nome como referência de justiça, em tempos de desprezo dos pressupostos epistemológicos da ciência jurídica.

A ALITA, fundada com o propósito de valorizar a cultura literária, preservando e promovendo a produção intelectual da nossa região, é um símbolo do amor pelas letras e pela história de Itabuna. Repito, é um privilégio poder compartilhar este espaço de erudição, sabedoria e reflexão com escritores, poetas, acadêmicos e intelectuais que têm, ao longo dos anos, dedicado suas vidas ao exercício da palavra e ao fortalecimento da nossa identidade cultural.

Humildemente, me coloco à disposição desta academia para seguir o legado daqueles que vieram antes de mim e para, junto aos meus confrades e confreiras, continuar a missão de promover a literatura e as artes em nossa cidade, fortalecendo a região.

Tenho plena consciência de que o papel de um acadêmico vai além da simples produção literária; ele é também um guardião da memória, um criador de pontes entre o passado e o futuro, um facilitador do diálogo entre os diversos segmentos da sociedade. Com isso em mente, comprometo-me a colaborar de maneira ativa nas ações da ALITA, a apoiar novos projetos literários, a fomentar o debate cultural e a disseminar a literatura como um bem essencial à formação do caráter e da cidadania.

Preocupar-se com a memória, o legado, sempre foi uma das primeiras escolhas dos homens virtuosos, quando buscam deixar para posteridade seus feitos.

Desta feita, gosto muito da ilustração, do breve diálogo extraído das narrativas dos eventos da Guerra de Troia da Ilíada, do poeta grego Homero:   

– “O tessálico que vai lutar, com o senhor, ele é o maior homem que já vi. Eu não lutaria com ele”, disse o menino. 

– “Por isso que o seu nome nunca será lembrado” (Aquiles).

Perceba, este singelo diálogo entre um menino, que seguindo ordens de Agmanón considerado o rei dos reis entre os gregos, busca Aquiles para enfrentar um guerreiro da Tessália. A descrição ecoada para posteridade pela deusa que os gregos chamavam de “Mnemosyne”, Memória. 

Esta memória é o canto dos poetas, que registrava e deixava para as próximas gerações, a tradição, como: da Ilíada e da Odisséia, dos Cantos Cíprios e várias outras histórias que marcam nosso imaginário e são ilustradas por filmes como “Troia”.   

O que neste momento trago à tona, são máximas e sentimentos um pouco fora de moda. Sim, isso mesmo, ética, honra e respeito aos que antecederam, os antepassados. 

Certa feita, Bernardo de Chartres cunhou a seguinte frase: “Se eu vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes”. Apesar de ter ficado famosa e comumente atribuída a Isaac Newton, essa inscrição tem origem no século XII. Este, utilizou a metáfora dos anões estarem sobre ombros de gigantes, que expressa o significado de descobrir a verdade a partir das descobertas anteriores.

Desse modo, acompanhar os trabalhos dos integrantes da ALITA sempre foi um ideal quase romântico, hoje, realidade estando próximo de confrades e confreiras com envergadura intelectual ímpar, expertise, maestria na articulação das palavras eleva todo aquele que se debruça nos escritos de nosso presidente de honra Cyro de Mattos.  

Como Ruy Póvoas em seus escritos marcados, como deve ser, de sua relação com o divino, manifestado em cada estrofe. Dissociar a vida na sua integralidade, desprezando a manifestação cultural, é um tipo de paralaxe cognitiva, um total disparate, como diz Roger Scrutom “a cultura não é um detalhe: é a alma de um povo”. Em Ruy Póvoas, sua alma fica registrada em cada verso.

Finalmente, aos cidadãos de Itabuna, cidade que tanto admiro e que sou privilegiado por ter sido adotado como filho, dedico minha posse como um ato de compromisso com o fortalecimento da nossa identidade cultural e com o desenvolvimento da nossa produção literária. Que nossa cidade continue a florescer como um centro de cultura, sabedoria e criatividade, inspirando as futuras gerações a valorizar o poder das palavras. 

Sempre fui um entusiasta das letras, da arte e cultura. Minha trajetória literária se inicia ainda na tenra infância, aos 7 anos, quando concluir a leitura completa da Bíblia Sagrada, obra que moldou não apenas meu vocabulário, mas sobretudo minha cosmovisão. 

Desta feita, pertencer a ALITA ultrapassa não só a agremiação para produção, artística e cultural, mas, também contrabalancear, frente relativista, que busca desconstruir a alta cultura, deformando consequentemente o imaginário, afetando o desenvolvimento humano. Tenho aqui, amigos, amigas e irmãs, que pertencem a essa confraria, como a confreira Eliabe – somos da Igreja Presbiteriana do Brasil, saudosos professores Marcos Bandeira e Raimunda Assis, reforça a ideia de almejar estar em um lugar, como meu pai dizia: “meu filho, tenha amizade com pessoas melhores que você”. 

Sem saber, sua instrução se aproxima muito no que Aristóteles em sua ética, ao desenvolver seu sistema de virtudes “eudaimonia” (felicidade), entende que seria um tipo de escolha atingido pelo desenvolvimento prático – proceder. Então, aqueles que não tem autonomia suficiente para escolher o que é virtuoso, deve fazer pelo hábito. 

Neste sentido, quando as virtudes vêm por meio do hábito, a busca da felicidade requerer que se faça pela mimesis (imitação) daqueles que tem uma vida virtuosa. Logo, “ter amizade com pessoas melhores que você”, permite elevar o padrão dos comportamentos para o plano da ética, disciplina filosófica prática, que permite a orientação das decisões e ações humanas.   

Ingressar nesta Academia é como retornar ao lar — um lar de ideias, de memórias, de compromisso com a cultura itabunense. Aqui se reúnem os que não permitem que a história se perca, que a literatura se cale, que o pensamento se estanque. 

Sabemos que as letras permitem construir o imaginário coletivo, pedagogicamente instrutivo para a saída da menoridade, como diz Kant, para uma condição de autonomia, reverberada pela projeção intelectual. 

Lembrando que o silêncio é a última fronteira da liberdade. Liberdade essa que só as letras nos permitem ter

Agradeço, com humildade e gratidão:

– Aos ilustres confrades e confreiras, por sua confiança.  

– À minha família, alicerce de minha jornada.  

– Aos meus primeiros mestres e leitores, que regaram as sementes da palavra em minha alma.  

– E sobretudo a Deus, que é o autor da vida e da sabedoria.

Neste momento, firmo o compromisso de zelar por esta cadeira com dignidade, e de honrar o legado de Luiz Gama, promovendo a literatura como instrumento de liberdade, consciência e comunhão.

Que as letras que aqui semeamos germinem não apenas em livros, mas em vidas. Muito obrigado.

 

Itabuna-BA, 12 de setembro de 2025

 

 

 

REFERÊNCIAS

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Trad. Pietro Nasseti. 4 ed. São Paulo: Martin Claret, 2008.

OF SALISBURY, Jonh. THE METALOGION: A Twelfth-Century Defense oh the Verbal and Logical Arts oh the Trivium. Editora Paul Dry Books, 2009.  

SCRUTOM, Roger. A CULTURA IMPORTA: Fé e sentimento em um mundo sitiado. São Paulo, LVM Editora, 2024.  

TROIA. Direção: Wolfgang Petersen | Roteiro David Benioff | Elenco: Brad Pitt, Erica Bana, Orlando Bloom | Título original Troy, 2004, 2h 35min.

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DISCURSO DE POSSE NA CADEIRA 04 DA ACADEMIA DE LETRAS DE ITABUNA – ALITA – Por Ademilton Batista Santos

Saúdo os confrades, confreiras e convidados, com especial gratidão aos doutores Clóvis Nunes Aquino, Gláucio Mozer e Peter Devires, cuja dedicação foi essencial para que eu permanecesse entre os vivos após o infarto e o AVC que enfrentei em 2021.
Não tive medo da morte, mas sim de viver sem realizar meus sonhos. Agradeço ao meu Bom Jesus Cristo pela nova oportunidade e ao meu filho, Vitor, meu amigo e companheiro, por ter sido instrumento dessa salvação.

Durante os longos dias de recuperação, o sol que atravessava a janela reacendeu em mim o desejo de viver. O tempo, com suas voltas e silêncios, me conduziu a novas estradas e reflexões sobre o propósito de minha existência. Foi quando compreendi que “Vencer o Tempo”, título do meu primeiro livro, não era apenas uma obra, mas uma missão pessoal.

Percebi que a vida nos escolhe — não o contrário — e nos confia tarefas que revelam o sentido de nossa passagem. Assim aceitei o destino e suas veredas, permitindo que o tempo me guiasse até este momento de renascimento. Hoje, sinto-me honrado por ser empossado como membro imortal da cadeira nº 4 da ALITA, tendo como patrona a professora e escritora Helena de Borborema.

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*Ademilton Batista Santos é poeta, escritor, ator e apresentador de Rádio e Tv.  Autor do livro “Vencendo o Tempo”, “Incrível Amor”, “O Meu Céu”, entre outros. É idealizador do projeto “Poesia que Cura” e criador do programa “Café com Poesia e Cinema” na TVI. É membro efetivo da Academia de Letras de Itabuna – ALITA. E-mail: ademiltonbatista.escritor@gmail.com.

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Helena foi uma mulher de memória e sensibilidade. Em obras como Terras do Sul, Retalhos e Lafayette de Borborema – Uma vida, um ideal, registrou o espírito e a cultura da nossa gente com emoção e humanidade. Seguir sob sua inspiração é perpetuar a memória e a esperança de um povo.

Agradeço aos confrades e confreiras pelos votos que me conduziram a esta casa. Itabuna é a cidade onde renasci, onde construí minha nova família literária e de onde emergem meus sonhos.
Sinto-me profundamente grato por fazer parte desta instituição que honra as letras, a arte e o pensamento humanista.

Minha trajetória começou cedo, aos sete anos, quando ajudava meu pai, vendedor de frutas e verduras em Salvador. Aos 19, fui jogador juvenil do Bahia e, depois, bancário no Bamerindus por uma década.
Em 1989, mudei-me para Itabuna e, desde então, a cidade tem sido o palco das minhas transformações. Foi aqui que reencontrei o sentido da vida e recebi meu maior presente: meu filho Vitor Augusto.

Quando pensei que a vida havia se esgotado em mim, Vitor — então com 16 anos — me convidou para atuar em seu filme Arthur. Esse convite foi a centelha que reacendeu meu espírito criador.
Da experiência com o cinema, nasceram meus primeiros poemas e, com eles, o poeta e o escritor que hoje vos fala.
Desde então, passei a transformar a dor em arte, o tempo em poesia, a memória em eternidade.

Foi também em Itabuna que nasceu o projeto “Café com Poesia e Cinema”, que começou no rádio e, em 2018, chegou à TVI, conquistando público em diversas partes do mundo.
Agradeço à minha esposa e ao meu filho pela paciência e amor que sustentam essa caminhada.

Assumir hoje um lugar na ALITA é, para mim, coroar uma jornada de fé, superação e propósito. Nenhuma força contrária é capaz de deter o que vem da luz. Tomo posse com humildade e com o coração entregue à missão de servir à literatura e à vida. 

Que o projeto “Poesia que Cura”, agora apresentado à Academia, floresça com o apoio dos confrades e confreiras, levando conforto, arte e esperança a quem mais precisa.

Que Deus ilumine nossos caminhos.


Viva a poesia, vida longa à ALITA!
Ademilton Batista Santos

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EM COMEMORAÇÃO DOS CINQUENTA ANOS DO ILÊ AXÉ IJEXÁ – Por Gustavo Velôso

Em 18/09/2025

Itabuna é palco de histórias que se cruzam como rios invisíveis sob a terra. Entre elas, a da Comunidade Ilê Axé Ijexá, que há cinquenta anos resiste e floresce como árvore antiga, de raízes fundas e copa aberta ao céu.

Para celebrar esse marco, escolhi a simplicidade do haicai — breve como um sopro, denso como um instante que guarda séculos. São três poemas que caminham entre a rua e o terreiro, entre a cidade e o sagrado, entre o eu e o coletivo.

Que o leitor os receba como quem escuta um eco ancestral: palavras pequenas, mas carregadas de eternidade.

Haicai 1

Caminho estreito,

cidade e terreiro —  

história pulsa

Haicai 2

Na rua branca,

silêncio inteiro cabe

dentro do tambor.  

Haicai 3

Orixá fala,

sou eu e não sou eu,

axé de ser.

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O BRANCO DA SEXTA FEIRA – Por Gustavo Velôso

Em 18/09/2025

Recebi pelo WhatsApp um convite incomum: a comemoração dos cinquenta anos do Ilê Axé Ijexá, uma comunidade religiosa de tradição afro-brasileira em Itabuna. O remetente — adivinhei logo — tinha a mão de meu querido amigo e confrade Ruy Póvoas, babalorixá, colega de antigas como servidor da UESC e hoje companheiro da Academia de Letras de Itabuna ALITA. O traje? Branco. Claudinha, previdente, já tinha. Eu, não.

A calça encontrei depressa, num clique. A camisa de linho, mangas compridas, surgiu na internet também, mas vinda de longe — chegaria quando o evento já tivesse transcorrido. Restou a solução tradicional: ir ao centro da cidade em busca do branco exigido. Fizemos isso, compramos camisa e tênis, e aguardamos o dia.

Era sexta-feira, 5 de setembro de 2025, quando seguimos, fim de tarde, de Ferradas até a Rua Getúlio Vargas, 642, no Bairro Santa Inês. Escolhemos o caminho pelo centro — errada a escolha. O trânsito travado retardou o passo, coisa que não teria acontecido se tivéssemos ido pelo semianel rodoviário. Já perto do terreiro, dezenas de carros estacionados denunciavam que a festa seria grande.

Na entrada, dois rapazes recepcionavam: um de branco, outro em roupa comum. Lá dentro, rostos conhecidos acenavam, muitos com aquela alegria simples de reencontro. Preparava-se uma procissão. Depois dela, a concentração no pátio interno e, em seguida, todos ao salão do culto. Gente, em cadeiras de plástico, bancos de madeira ou no chão, aguardava. No palco, três músicos ajeitavam seus instrumentos. Ao lado, um altar discreto esperava a presença maior.

De repente, o batuque começou. O canto coletivo se elevou. Entrou o babalorixá. Silêncio.

Fez-se então um mergulho na memória: lembrou que, em 1975, pedras foram fincadas para erguer o Ilê. Ali não se cultuava apenas o sagrado, mas também a memória de Mejigã, africana escravizada no engenho de Santana, em Ilhéus colonial, e cuja força ancestral se prolongava na casa.

O discurso, sereno e firme, falava de paz, de natureza, de comunidade, de respeito aos mais velhos, de combate ao racismo e à intolerância. O Ilê Axé Ijexá, disse, era um “museu vivo”: um espaço onde memória e tradição se revelam não apenas na arquitetura, mas na dança, na comida, no gesto, no canto.

E havia verdade nisso. A cada oração, a cada cântico, percebia-se que o terreiro não era só um lugar de fé, mas também de política, de ética, de resistência cultural. Recebe pesquisadores do mundo inteiro, abre-se para quem busca cura nos modos afro-brasileiros, e se afirmar como território da vida.

Cantavam-se orikis, aduras, orin, malembes — palavras que, mesmo sem tradução imediata, soavam como música antiga, mais velha que as paredes do salão. Dançava-se não apenas com o corpo, mas com a alma.

E, no fim, a lição: é preciso acreditar.
Na divindade que mora no humano.
Na educação como força de mudança.
No respeito aos mais velhos, no valor do abraço, na fraternidade entre os homens.
E sobretudo — na celebração da vida.

Saímos tarde. O branco da minha roupa já não era o mesmo da vitrine: tinha agora o peso de cantos, de rezas, de suor e de axé. Claudinha me olhou como quem pergunta se valeu a pena. Eu não respondi. Sorri apenas.

Porque certas noites não se explicam. Guardam-se.

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O MAR NA RUA CHILE CONQUISTA — PRÊMIO SABIÁ DE CRÔNICA JUNIOR – Por Cyro de Mattos

O Mar na Rua Chile Conquista

Prêmio Sabiá de Crônica Junior da Revista da Crônica RUBEM

O livro O Mar na Rua Chile e Outras Crônicas foi eleito vencedor do Prêmio Sabiá Junior de 1999, promovido pela Revista da Crônica RUBEM, criada em outubro de 1991 para homenagear o cronista Rubem Braga. O livro foi finalista do Jabuti no ano 2000, o único de crônicas concorrendo com livros de contos de escritores brasileiros importantes. O Mar na Rua Chile teve sua primeira edição pela EDITUS, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz, esgotada há 25 anos. Uma segunda edição vai ser realizada breve pela Editora da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia – ALBA.

 A notícia de que O Mar na Rua Chile foi o escolhido como vencedor do Prêmio Sabiá de Crônica Junior, o melhor do ano por autor estreante no gênero, em 1999, foi anunciada ao autor do livro no dia 14 deste mês pelos escritores e cronistas Henrique Fendrich e Anthony Almeida, editores da Revista da Crônica RUBEM. Vejam abaixo:

“Prezado Cyro de Mattos,

É com grande alegria que anunciamos que o seu livro O mar na Rua Chile foi eleito vencedor do Prêmio Sabiá de Crônica Júnior de 1999.

O Prêmio Sabiá de Crônica Júnior é uma iniciativa simbólica da Revista Rubem, criada para destacar a cada ano o melhor livro de um cronista estreante. Sua primeira edição oficial acontece em 2025. Entretanto, decidimos também avaliar retrospectivamente quais teriam sido os vencedores em anos anteriores, desde 1910, e compor assim uma tradição literária que reconhece e celebra grandes vozes da crônica brasileira.

Dentro dessa retrospectiva, sua obra se destacou de forma especial, reafirmando a força de sua escrita sensível e a relevância de sua contribuição para a literatura nacional.

Receba, portanto, nossos parabéns e nosso reconhecimento por ter oferecido à crônica brasileira um livro de estreia tão marcante.

Atenciosamente,
Henrique Fendrich e Anthony Almeida
Editores – Revista Rubem”

Entre os vencedores do Prêmio Sabiá de Crônica Junior, desde 1910, compondo assim uma tradição de  expressivo nível no gênero, segundo avaliação da Revista Rubem, estão Humberto de Campos, Olegário Mariano, Álvaro Moreira, José do Patrocínio Filho,  Antônio Alcântara Machado, Ribeiro Couto, Dinah Silveira de Queirós, Genolino Amado, Carlos Heitor Cony, Artur da Távola, Armando Nogueira, Sérgio Porto, Paulo Mendes Campos, Luís Veríssimo, Maria Julieta Drummond de Andrade,  Ruy Guerra, Aldyr Blanc, e os baianos Luís Henrique Dias Tavares, Carlos Eduardo Novais, Carlos Coquejo e Luís Carlos Maciel. Os cronistas Rubem Braga, Fernando Sabino, Rachel de Queiroz, Luís Veríssimo e Carlos Drummond de Andrade foram vencedores do Prêmio Sabiá de Crônica várias vezes na categoria para autor de vários livros de crônica.

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O GRUPO QUE VAI RESISTIR AO TEMPO – Por Gustavo Veloso

O grupo que vai resistir ao tempo

Em: 04/09/2025

No pequeno quadrado iluminado do WhatsApp, onde vozes se encontram sem distância e sem idade, Bertol inaugura a manhã com um texto enviado por uma amiga. Era quase um sermão de vida, desses que parecem nascer do tempo vivido e não das páginas de qualquer manual. A mensagem falava dos ciclos da existência, do trabalho que cedo ou tarde nos descarta, da sociedade que aos poucos nos esquece, da família que se ocupa de suas próprias jornadas e, por fim, da Terra, que nos devolve ao pó. Tudo isso entremeado de uma oração simples, de gratidão e de súplica.

Rilvan, tocado pelo tom, respondeu:

— Concordo em gênero, número e grau.

O silêncio breve foi quebrado por Sione, que trouxe à lembrança a figura de um vizinho:

— Um vizinho nosso, casado com uma amiga da minha família, era uma pessoa extraordinária, de coração solidário.
Margarida, mais literária, pediu licença. Sua voz parecia sair de um livro:

— No meu segundo romance, havia um personagem que fora rico e poderoso. Ao final dos dias, sozinho, órfão de amigos e de família, passava as tardes à porta da casa, implorando por um dedo de prosa. Onde ficaram as festas, os cristais, as noites de discussão política? Restou-lhe apenas a solidão.

Bertol, sensível ao peso da cena, devolveu:

— Bem assim. É necessário respeitar o tempo e seus ciclos. De onde o adágio: “O tempo destrói aqueles que zombam dele”.
A conversa, como em roda de amigos à beira de uma praça, foi se aprofundando.

Margarida, agradecida:

— Vocês sabem coisas lindas e verdadeiras.

E Bertol arrematou com um sopro estoico:
— “Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida”.

O fio da prosa seguiu com pequenas confidências sobre a revista citada, sua circulação e o envio de exemplares por e-mail. Mas o ponto alto ainda estava por vir, quando Baísa, com o entusiasmo de quem encontra um farol literário, recordou:
— Gosto muito de uma frase de Gabriel García Márquez: “Envelhecer bem é fazer um pacto digno com a solidão”.

E logo completou, quase como um conselho de avô:
— As possíveis soluções seriam gostar de sua própria companhia, ter vida interior e conservar os amigos que ainda estão vivos.

No fim, Raquel, mais leve, riu da própria expectativa:
— Eu tenho tanto filme pra assistir e tanto livro pra ler na minha velhice, que não vou me preocupar com a solidão.

E assim, entre reflexões filosóficas, lembranças de romances, citações de prêmios Nobel e promessas de filmes e livros, o grupo reafirmou sua razão de ser: a amizade que, mesmo no formato eletrônico, resiste ao tempo.

Porque, como dizia a mensagem inicial, quando tudo nos eliminar — o trabalho, a sociedade, a família e até a Terra — ainda haverá a alegria de um grupo de WhatsApp, onde um simples “bom dia” basta para devolver a sensação de que não estamos sozinhos.

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ALITA conquista título de Utilidade Pública Municipal

A Academia de Letras de Itabuna – ALITA comemora a importante conquista do reconhecimento de Utilidade Pública Municipal, conferido por meio da Lei nº 2.728, de 25 de agosto de 2025, sancionada pelo prefeito Augusto Castro e publicada no Diário Oficial do Município no dia 28 de agosto de 2025.

Aprovada por unanimidade na Câmara Municipal de Itabuna, a lei declara que a ALITA, pessoa jurídica de direito privado e sem fins lucrativos, passa a integrar oficialmente o rol de instituições de utilidade pública do município, em reconhecimento à sua atuação relevante em prol da cultura, da educação e da valorização da literatura grapiúna.

O projeto de lei foi apresentado pelo vereador Clodovil Moreira Soares, que prontamente acolheu o pedido da entidade e conduziu todo o processo legislativo com empenho e celeridade. A presidente da ALITA, Raquel Rocha, e o presidente de honra, Cyro de Mattos, estiveram pessoalmente na Câmara em diversas ocasiões para acompanhar e entregar a documentação exigida.

“Esta é uma conquista histórica para a nossa Academia. O reconhecimento de utilidade pública reforça nossa legitimidade e abre novos caminhos para parcerias e projetos culturais. Estamos muito felizes e agradecidos a todos que contribuíram para que esse sonho antigo se tornasse realidade”, declarou Raquel Rocha, presidente da ALITA.

Este reconhecimento fortalece institucionalmente a ALITA, legitimando ainda mais sua missão de promover a arte, a literatura e o pensamento na região sul da Bahia. A diretoria agradece a todos os envolvidos nesse processo e celebra esse novo capítulo da história da Academia.

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NOTA DE PESAR – Roberto Basílio Fialho

 

 

Nota de Pesar

A Academia de Letras de Itabuna (ALITA) lamenta profundamente o falecimento do professor Roberto Basílio Fialho, carinhosamente conhecido como Tio Beto.

Referência no Ballet e

 na dança, atuou com maestria na escola Thu e Cia e como professor da UESB, deixando marcas de carinho na formação de seus alunos e no fortalecimento da cultura em nossa região.

Tio Beto fez da arte seu ofício e da dança um caminho de beleza, disciplina e sensibilidade. Sua partida representa uma grande perda para o universo cultural e artístico de Itabuna.

À família, amigos, colegas e alunos, a ALITA expressa sua solidariedade e votos de conforto neste momento de despedida.

Itabuna, 23 de agosto de 2025

Raquel Rocha
Presidente
Academia de Letras de Itabuna – ALITA

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UM OLHAR SOBRE SAMBORÁ, DE RUY PÓVOAS – Por Margarida Cordeiro Fahel

Margarida Cordeiro Fahel

Ruy do Carmo Póvoas lançou o seu SAMBORÁ. Chegou ele em junho deste nosso 2025. Poeta avassalador, assim o vejo, no sentido de uma produção efervescente. Parece não dormir, nem labutar com o cotidiano da vida. Grande engano! O poeta descansa? Talvez muito pouco, pois trabalha,  estuda, pesquisa, ora, lidera e escreve. Parece que  versos em profusão recaem em cataratas sobre ele. Aliás, o poeta deve lembrar, com sua prodigiosa memória, de um sonho já de antigos anos, com uma velha casa, numa beira de estrada, na qual do seu reservatório, que deveria conter água, saiam pilhas em cachoeiras. PILHAS! Não pareciam mostrar a marca.Hoje, nesta lembrança chegada, imagino a analogia: estariam ali os versos borbulhantes que chegariam em cascata? E o poeta obedientemente os acolhe e lhes dá sua voz? Deve haver  uma  musa que faz dele o que quer. E ele obedece,   suponho, não importa o dia, não importa noite ou madrugada.

E esse seu SAMBORÁ encanta: às vezes, o verso é até doce como o mel, mas, em muitas outras, há uma certa acidez contida, ou mesmo meio escondida. Porém, numa sede de descobertas, SAMBORÁ indaga e ousa revelar. Para mim, o poeta não gostaria de tanto revelar-se. A culpa é  do SAMBORÁ… Os versos de Ruy Póvoas, numa cadência poética suavemente percebida, expressam a visão de mundo do poeta ou, mais exatamente, como ele o sente.  Sentir ou  pensar? Qual seria a percepção real? Uma visão convicta de mundo? Qual seria ela? A brevidade da vida? O inevitável das coisas? A impossibilidade de fugir ao previsto? Mas percebo então com surpresa, em alguns momentos, que o poeta já não se entristece, nem se revolta. E parece agora enxergar “o universo e a vida”, as coisas, as gentes e os fatos dentro de si mesmo, para assim melhor compreendê-los, interpretá-los e até perdoá-los. Em SAMBORÁ, quem sabe pela doçura do mel, o poeta até aconselha a aceitação, da qual  poderíamos mesmo duvidar. Entretanto, ali está dito, claro como mel.

O poeta Ruy Póvoas faz poesia filosófica, na maioria das vezes, embora em alguns momentos, brincando com as palavras, não sabemos se ele fala a sério. Ele é um sabedor das palavras e as usa com graça, por muitos momentos, em outros com empenho, com força, manipulando-as com seu profundo conhecimento e até esclarecendo-as, como pesquisador que é,  escolhendo  a cor e a textura que lhe convém.

Não estou, neste momento, fazendo uma análise crítico-literária dos poemas de SAMBORÁ, num sentido rigidamente acadêmico. Isso talvez fique para outro momento, quem sabe… Na verdade, preocupo-me  apenas em falar sobre como o senti, de como entendi e enxergo o poeta neste seu SAMBORÁ. E o vejo como uma alma sempre a expressar uma visão de mundo, e uma profunda necessidade de compreender, interpretar e aceitar a realidade, realidade que se faz história, na difícil caminhada humana sobre a terra. É algo vital, na profundidade maior do termo. Como ele a enxerga, como a recebe, e como a transforma e elabora em si mesmo.

Alguns poemas, tais como COSMOGONIA, COROLÁRIO, CONSCIÊNCIA, DINASTIA, ELA, ESCOLHA, GARANTIA, DESASTRE e ENIGMA, dentre outros, a mim  pareceram mais reveladores, mais evidentes do que  o poeta precisa ou quer demonstrar,  ou, ainda, daquilo que o persegue.Entretanto, cada leitor poderá descobrir muitos outros DADOS EVIDENTES,  conforme seu próprio entender, sentir, ou até decifrar. E aqui relembro que o “dado evidente” é algo fundamental na concepção literária desse escritor.

Enfim, este é apenas um comentário cujo propósito, repito, é evidenciar a força da palavra poética em Ruy Póvoas, conforme  a recebi do seu dourado SAMBORÁ, que é mel, mas não deixa de lembrar-nos o SAMBURÁ, um cesto artesanal  típico do viver  de  nossa gente. E  eu aqui o trago, evocando o  parentesco fonético, e o  que ele tem  de  belo no seu trançado, falando -nos de coisas também guardadas, às vezes doces, às vezes amargas, mal entrevistas através das  frestas do torcido emaranhado,  inteligente e belo que lhe dá forma.

 Assim, SAMBORÁ e SAMBURÁ: um dentro do outro. E brinco com o poeta, desculpando-me por essa breve mistura de mel e cipó…

 

Margarida Cordeiro Fahel

Cadeira 29 da Academia de Letras de Itabuna -ALITA. Patrono GIL NUNESMAIA.

 

PÓVOAS, Ruy do Carmo. SAMBORÁ,Ibicaraí, BA: Via Litterarum, 2025.

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NOTA DE PESAR – João Augusto Alves de Oliveira Pinto

A Academia de Letras de Itabuna – ALITA manifesta seu profundo pesar pelo falecimento do desembargador João Augusto Alves de Oliveira Pinto, ocorrido na madrugada desta terça-feira, 19 de agosto de 2025.

Natural de Itabuna, João Augusto Pinto formou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1977, onde também concluiu o mestrado em 1996. Ao longo de sua sólida carreira no Judiciário baiano, exerceu a magistratura em diversas comarcas do estado — entre elas Santa Terezinha, Uruçuca, Feira de Santana, Itabuna e Santo Amaro — sendo promovido por mérito à capital em 1994, onde passou a integrar a Corte do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

João Augusto Alves de Oliveira Pinto foi exemplo de retidão, equilíbrio e dedicação à causa da Justiça. Seu legado permanece não apenas nas decisões que proferiu, mas também no respeito que conquistou entre colegas, servidores e cidadãos.

Neste momento de dor, a ALITA se solidariza com toda a família enlutada, desejando força, serenidade e consolo.

Raquel Rocha
Presidente

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