administrador

PORTARIA Nº 01/2025 – Institui a Comissão de Redação Biográfica da ALITA

PORTARIA Nº 01/2025
Institui a Comissão de Redação Biográfica da ALITA

A Presidente da Academia de Letras de Itabuna – ALITA, no uso das atribuições que lhe confere o Estatuto da instituição,

CONSIDERANDO a importância da publicação do Compêndio Biográfico dos Patronos da ALITA, conforme disposto no Edital 01/2024;

CONSIDERANDO a necessidade de garantir a inclusão das biografias de todos os patronos, mesmo nos casos em que não houver submissão por parte dos ocupantes das respectivas cadeiras;

RESOLVE:

Art. 1º Fica instituída a Comissão de Redação Biográfica da ALITA, com a finalidade de elaborar as biografias dos patronos cujos textos não forem entregues até o prazo estabelecido no Edital 01/2024.

Art. 2º A Comissão será composta, inicialmente, pelos seguintes membros:

Clóvis Silveira Góis Júnior

Gustavo Cunha

Margarida Fahel

Raimunda Assis

Gustavo Velôso

Rilvan Santana

Art. 3º A Comissão terá autonomia para realizar pesquisas, redigir textos biográficos e incluir os dados necessários à composição do Compêndio, zelando pelo rigor histórico, literário e ético da publicação.

Art. 4º Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação.

Itabuna, 24 de abril de 2025.

Raquel Rocha
Presidente
Academia de Letras de Itabuna – ALITA

PORTARIA Nº 01/2025 – Institui a Comissão de Redação Biográfica da ALITA Read More »

NOTA DE PESAR- Papa Francisco

A Academia de Letras de Itabuna-ALITA, manifesta seu mais profundo pesar pelo falecimento de Sua Santidade, o Papa Francisco, ocorrido em 21 de abril de 2025, às 7h35 (horário de Roma), na Casa Santa Marta, no Vaticano.

Nascido Jorge Mario Bergoglio em Buenos Aires, Argentina, em 17 de dezembro de 1936, o Papa Francisco foi o 266º pontífice da Igreja Católica e o primeiro papa jesuíta, o primeiro das Américas e o primeiro do Hemisfério Sul a assumir o trono de São Pedro.

Durante seu pontificado, destacou-se por uma liderança serena e pastoral, enfatizando a misericórdia de Deus, a justiça social e a necessidade de uma Igreja comprometida com os mais vulneráveis. Optou por uma vida simples, recusando os luxos do Vaticano e residindo na Casa Santa Marta, onde também veio a falecer.

Neste momento de luto, a ALITA rende homenagens a este grande líder espiritual e ora para que sua alma descanse em paz. Que seu testemunho de fé, humildade e amor ao próximo continue a iluminar o caminho da humanidade.

Itabuna, 21 de abril de 2025.

Raquel Rocha
Presidente da Academia de Letras de Itabuna – ALITA

NOTA DE PESAR- Papa Francisco Read More »

Abertura de 2025 e Lançamento da Guriatã nº 6

ALITA inaugura o Ano Acadêmico de 2025 com celebração à literatura e ao lançamento da 6ª edição da Revista Guriatã

Na noite do dia 20 de março de 2025, a Academia de Letras de Itabuna (ALITA) realizou sua cerimônia de abertura do Ano Acadêmico, em evento solene sediado no auditório da OAB de Itabuna. O encontro marcou também o lançamento da 6ª edição da Revista Guriatã, publicação que se consolida como importante espaço de expressão literária grapiúna.

A solenidade teve início com a composição da mesa de honra, formada pelas seguintes autoridades: Raquel Rocha, presidente da Academia de Letras de Itabuna; Thiago Cruz, presidente da OAB – subseção de Itabuna; Clóvis Silveira Góis Júnior, diretor da Revista Guriatã; Lurdes Bertol Rocha, vice-presidente da ALITA; Eliabe Izabel de Moraes, primeira secretária da ALITA; Paulo Lima, representante da Academia Grapiúna de Letras.; Luh Oliveira, vice-presidente da Academia de Letras de Ilhéus. A condução do cerimonial ficou a cargo de Sérgio Sepúlveda, membro da ALITA.

Após a execução dos hinos Nacional e da ALITA, a presidente Raquel Rocha declarou oficialmente aberta a cerimônia e saudou os presentes. “Que esta noite seja de celebração, inspiração e fortalecimento dos laços que unem todos nós em torno das palavras.”

Em seu discurso, ela reiterou o compromisso da instituição com a difusão do saber, a valorização da cultura regional e a preservação da língua, desejando que 2025 seja um ano fecundo em realizações e marcado por encontros fraternos e produção criativa. “Hoje, inauguramos mais um ciclo na jornada da nossa Academia, reafirmando nosso compromisso perene com a difusão do saber, a valorização da cultura e a perpetuação do vernáculo.”

Raquel celebrou ainda o lançamento da nova edição da Revista Guriatã, agradecendo nominalmente às revisoras Ceres Marylise Rebouças e Maria Luiza Nora de Andrade pelo trabalho minucioso de edição. Destacou também o papel fundamental do diretor Clóvis Góis Júnior, a quem atribuiu esmero e competência como marcas do processo editorial “Seu labor, aliado à sua inquestionável competência, constitui-se como pedra angular deste projeto que tanto nos enleva e nos honra.”

Em seu discurso, Clóvis afirmou que a Guriatã é uma ferramenta de sensibilidade estética e literária: “A melhor maneira de conhecer a dimensão do belo é entrar em contato com ele.” Homenageou o Conselho Editorial e lançou olhares poéticos sobre as colaboradoras, referindo-se a Ceres como “nossa estrela da ALITA”, e a Baísa como exemplo de dedicação e resiliência. Ressaltou ainda o apoio decisivo de Raquel Rocha como força organizadora do projeto. “A missão torna-se factível dependendo de quem gerencia as etapas. A caminhada é mais prazerosa quando os companheiros são benevolentes e íntegros”, concluiu.

O evento seguiu com leituras de textos presentes na edição nº 6, apresentadas por seus próprios autores: Lurdes Bertol Rocha, com um trecho de Origem da cidade de Itabuna; Ruy Póvoas, com o poema Desencontro; Gustavo Cunha, com o poema Ave; Rafael Gama, com o poema Trajes da Vida; Sione Porto, com um texto de seu patrono, Telmo Padilha.

Durante a cerimônia, foi registrada e agradecida a presença do professor Antonio Joaquim Bastos, ex-reitor da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) entre 2004 e 2012, e do Sr. Jeffson Braga, assessor do vereador, delegado e professor Clodovil Moreira Soares.

Além dos componentes da mesa e dos membros que fizeram a leitura, estiveram presentes os seguintes alitanos: Marcos Bandeira, João Otávio Macedo, Margarida Cordeiro Fahel, Silvio Porto, Maria de Lourdes Simões, Raimunda Assis, Rafael Gama, Gustavo Cunha e Janete Macedo. Todos os membros e convidados receberam um exemplar da Revista Guriatã.
Ao final, o mestre de cerimônias Sérgio Sepúlveda convidou os presentes a participarem de um coquetel de confraternização, encerrando a noite em clima de celebração e renovação dos laços de amizade.

Abertura de 2025 e Lançamento da Guriatã nº 6 Read More »

ALITA requer apuração da Demolição do Prédio Histórico Comendador Firmino Alves em Itabuna

Ação pede que Procurador Geral do Ministério Público Baiano apure e responsabilize penalmente os envolvidos pela demolição do prédio histórico Comendador Firmino Alves, em Itabuna

A Academia de Letras de Itabuna (ALITA) protocolou uma ação intitulada “Notícia do Fato”, solicitando que o Procurador Geral da Bahia determine a apuração e responsabilização sobre a demolição do prédio histórico Comendador Firmino Alves, localizado na praça Olinto Leone, no centro de Itabuna. Este edifício, que foi residência do fundador da cidade, José Firmino Alves, foi destruído no dia 19 de outubro de 2024.A ação, conduzida pelo escritório de advocacia Sérgio Habib, membro da ALITA, conta com a assinatura dos advogados Marcos Bandeira, Thales Habib, Beatriz Lerner, do próprio Sérgio Habib e da presidente da ALITA, Raquel Rocha. O pedido é pela responsabilização penal da empresa Torres Santos Empreendimentos Imobiliários e Serviços Ltda.

O texto argumenta, de início, a legitimidade da Alita, uma entidade sem fins lucrativos, para apresentar a ação, devido ao seu vínculo histórico e cultural com a cidade, tendo nomeado uma Comissão Especial para apuração dos fatos. A Comissão intitulada ALITA EM AÇÃO tem como integrantes: Sérgio Alexandre Meneses Habib, Cyro Pereira de Mattos, Janete Ruiz de Macedo, Marcos Antônio Bandeira, Clóvis Silveira Góis Júnior, Silmara Santos Oliveira e Lurdes Bertol Rocha.

A Academia desempenha um papel relevante na preservação do patrimônio histórico e cultural de Itabuna, tanto material quanto imaterial, embora qualquer cidadão pudesse formalizar uma Notícia do Fato.

A ação destaca a relevância histórica do sobrado Comendador Firmino Alves para Itabuna, um local essencial para os debates que resultaram na emancipação do município e na organização urbana e cultural da então vila de Tabocas. O prédio também abrigou profissionais importantes para o desenvolvimento da cidade, refletindo a visão de futuro de seu fundador.

O texto revela que a demolição aconteceu de maneira clandestina durante um feriado prolongado, violando um embargo emitido pela Prefeitura de Itabuna. Além disso, a empresa iniciou as obras sem a documentação necessária – como a escritura do imóvel e a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) –, desrespeitando as normas legais e o embargo determinado pela Secretaria de Infraestrutura e Urbanismo (SIURB). A irregularidade foi ainda mais agravada pelo descarte indevido dos resíduos da demolição em área pública.

Diversas entidades culturais e organizações de Itabuna manifestaram seu repúdio à demolição do prédio. Entre elas, destacam-se o Centro de Documentação e Memória Regional da Universidade Estadual de Santa Cruz (CEDOC/UESC), o Centro Cultural Teosópolis (CCT) , Associação Nacional de Historiadores ANPUH/ Bahia, OAB/Bahia e a Academia Grapiúnas de Artes e Letras (AGRAL). Essas entidades consideram o ato como um ataque ao patrimônio histórico da cidade, já fragilizado pela falta de políticas eficazes de preservação.

O documento pontua que a demolição desse importante marco arquitetônico não é apenas um desrespeito à memória coletiva, mas também uma ameaça à identidade cultural de Itabuna, que tem perdido progressivamente seus principais elementos históricos e materiais. “O ato configura um ataque ao patrimônio histórico e cultural de Itabuna, que vem sofrendo com a ausência de políticas públicas efetivas para sua preservação”, afirma a petição.

Por fim, a ação solicita que o Procurador-geral de Justiça do Estado da Bahia garanta justiça abrindo uma investigação e instaure um inquérito policial, conduzindo uma apuração rigorosa, para responsabilizar os envolvidos. A acusação aponta que os responsáveis pelos fatos podem ter infringido os artigos 62 a 65 da Lei nº 9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais) e o artigo 330 do Código Penal.

As entidades afirmam que o progresso de uma cidade não deve se basear na destruição de seu passado e de seus marcos identitários.

 

ALITA requer apuração da Demolição do Prédio Histórico Comendador Firmino Alves em Itabuna Read More »

EDITAL DE CONVOCAÇÃO – ASSEMBLEIA GERAL

EDITAL DE CONVOCAÇÃO – ASSEMBLEIA GERAL

                      

A Academia de Letras de Itabuna, com sede na Reitoria da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), situada à Praça Jose Bastos s/n, Centro, Itabuna Estado da Bahia, por ordem da presidente Raquel Silva Rocha, no uso de suas atribuições, convoca os membros efetivos para a assembleia  geral  ordinária, a realizar-se no dia 26 de março de 2025, na modalidade online, 19:00, em primeira convocação, com a presença da maioria absoluta dos votantes e, em segunda convocação, 20:00 com qualquer número de presentes conforme preceitua  o artigo 12, parágrafo único do Regimento da ALITA , com a seguinte Ordem do Dia:

  1. Leitura e aprovação da ata da reunião anterior.
  2. Agradecimentos pelo lançamento da 6ª edição da Revista Guriatã.
  3. Atualizações sobre a gravação dos documentários com os membros.
  4. Proposta de redução do valor da mensalidade.
  5. Biografias pendentes para o Compêndio Biográfico.
  6. Formação da Comissão escreverá as Biografias Faltantes.
  7. Definição da data para o próximo sarau ALITA Entre Versos.
  8. Membros Ausentes
  9. Informes da Tesouraria: índice de inadimplência 2024-2025
  10. Informes sobre a Guriatã número sete
  11. Declaração de vacância
  12. Assuntos gerais (O que ocorrer).

 

Este Edital será publicado no site Academia de Letras de Itabuna.

 

 

Itabuna, 01 de março de 2025

 

Eliabe Izabel de Moraes

Primeira Secretária

EDITAL DE CONVOCAÇÃO – ASSEMBLEIA GERAL Read More »

RESENHA SONHOS DE VIVER- Tica Simões

Aleilton Fonseca.  Sonhos de Viver. Salvador: Camarurê Publicações, 2022.

Os seis contos que integram o livro Sonhos de Viver, de Aleilton Fonseca, são mesmo contos exemplares, como bem disse André Seffrin, no prefácio que abre o livro.

A dedicatória já dá pista ao leitor sobre o pessoano “fingimento” do narrador. E a “dor que deveras sente”  pode ser sentida ao longo dos contos, por nuances diversas: seja  na temática que evidencia sempre o singular  olhar de viveres diversos:  seja na linguagem lírica que  potencializa a sua observação da vida; seja nos temas de cada conto, temas esses relacionados, de uma forma ou outra, aos sonhos, às artes e à natureza.

Em todos os contos, forte é o sentimento do outro, a solidariedade, a humanidade. Assim, elegendo personagens menos favorecidos que, no entanto, habitam e convivem com a faixa mais abastada da sociedade, AF foca-os ressaltando, com especial sensibilidade, os abismos sociais, que  povoam sonhos de viver, na ficção e na vida…

O primeiro conto, Os Acordes da Banda, encanta pelo sentimento contido nas ações do maestro Chico Augusto; por seu grande amor à arte a ponto de perdoar uma tão grande traição do maestro Lídio.

As Lições do Jardineiro é conto que  faz pensar e entender como aprender a cultivar jardins de vida. Neles, lindas rosas que simbolizam sonhos, “o jardineiro é […] um poeta das plantas e das flores” (p.40).

O olhar pelo foco social – Vidas de Barro, O homem da Calçada e Diarista Exemplar – evidenciam a luta dos mais fracos, ressaltando o amor que dá força para vencer até intempéries, mesmo ante a indiferença dos mais aquinhoados.

Mas é o conto Dona Tute que fecha, com chave de ouro, a proposta anunciada na dedicatória e sutilmente revelada pelo narrador ao falar do “filho adotivo. Ele que agora reinventa, nesta escrita, as suas aventuras, com as cores e as metáforas do coração […] para celebrar a sua trajetória de vida” (p.62). Uma bela  homenagem  a quem o livro é dedicado!

                                                                               Maria de Lourdes Netto Simões (Tica Simões)

RESENHA SONHOS DE VIVER- Tica Simões Read More »

RESENHA ORATÓRIO DAS ÁGUAS- Tica Simões

Gustavo Felicíssimo. Oratório das Águas. Itabuna: Mondrongo, 2021.

 

Poesia  “de insondável viço”, sinaliza o Epílogo  do livro.

A água, tomada como metáfora, faz fluir as reflexões sobre  a existência, a vida, o fazer poético.  Como esclarece na Nota ao Leitor, Gustavo Felicíssimo toma os mitos de Phaêton e Narciso para a sua postura poética, buscando afastar-se da vaidade ou individualidade. Toma para si o conselho de Helios a Phaêton: “voa no meio e correrás seguro”.

Nada excede no livro, que se estrutura  em Exórdio, Nascentes , Rios, Mares e Epílogo.

Desde o Exórdio,  anuncia os seus  propósitos metafóricos ”na condição de água […] apenas um mergulho, talvez” (p.16) . Intertextualidades atravessam os seus versos, com  presenças anunciadas em notas (Cecília Meireles, Jorge Araújo, Pablo Neruda, Sosígenes Costa, Aleilton Fonseca, dentre outros), ou sentidas em postura filosófica panteísta (Alberto Caeiro/ Fernando Pessoa, Espinosa, …): “[…] para que em águas puras eu me purifique […] a eles sempre rogo o próximo verso.” (p. 23)

As águas são muitas e infindas, diria Caminha. Desde Nascentes, as águas são dos rios e dos mares, o cerne poético.

Nascentes, em panteísmo, na metáfora da água,  realiza a metalinguagem dos seus versos:  “Minha palavra não é um badalar de sinos/ não se iguala  às árias dos pássaros/ não penetra a alma  das flores/ não reflete a claridade do infinito/ Minha palavra é essa nascente/ esse arroio no qual me assento […] (p.29).  Ou ainda: “[…] escrever é como percorrer/ a linha d’água que se derrama/ da ânfora infinita/ onde moram as palavras” (p. 33).

Em Rios, o poeta faz o correr da vida, pari passu, com o correr das águas doces, identificando o processo de criação poética com o da natureza,  “no rumor de todas as águas/ No canto de todos os pássaros/ na força do vento nos arvoredos” (p.36).  E afirma mesmo: “Esses rios sinuosos são a vida” (p. 37).  Ainda em postura panteísta, reafirma a metáfora: “Esses rios não são o que digo/ Às vezes o vento para de soprar/ e o rio se torna um espelho/ Nele vejo a face de todas as coisas / o que alguns chamariam de Deus”. (p.38).  Mas, se os rios correm naturalmente para o mar, para o poeta “eles correm é para dentro de mim/ e eu emudeço – remanso que sou/ Os deixo fluir em meus versos/ e os aceito como a mim se revelaram” (p.40).  Confirma a própria reflexão sobre a poesia, realizando um original  processo de metalinguagem, quando afirma: “Tudo aqui são águas e são também/ a mais perfeita definição de poesia” (p.45) . Como “uma ciranda” a água é devolvida para a água, a palavra é devolvida em poesia…

Mares, também metaforicamente, traz a história e o fazer poético: “Outrora aqui chegaram as naus/ que venceram os oceanos/ Agora  surgem esses versos/ como se fossem Argonautas” (p.51). Remete à Mensagem, de Fernando Pessoa: “Deus quere, o homem sonha, a obra nasce.” (O Infante. Mar Portuguez. Obra Completa. Rio de Janeiro, Aguillar, 1986, P. 78).   Ainda, lembrando Fernando Pessoa   (“O’ MAR SALGADO, quanto do teu sal/ São lágrimas de Portugal” Idem, p. 82),    diz: “Trago uma lágrima após outra lágrima/ que é como uma onda após outra onda” (p. 51). E em versos plásticos, intertextuais, visuais e múltiplos evidencia o avançar das naus; o avançar da sua poesia: “de lufada em lufada prossigo” (p.52); “ E se as ondas me levam/ o meu ser, refluente, navega” (p.55).

 Depois, a consciência do fazer poético, pois “quando tudo é calmaria […] o poema vai se construindo/ à revelia de toda efusão marítima” (p. 58)

O Epílogo, conclusão do livro, das reflexões metafóricas, do fazer poético. “Tenho o corpo coberto de água/ posto que nela me sepulto […] pois água é a vida que a tudo rege” (p.66).

O poeta “descobriu na linguagem/ a mais adequada medida do seu êxito” (p.67). Assim, dando a volta,  retoma o mito, conseguindo ouvir o conselho de Helios: “voa no meio e correrás seguro”.  E seguro corre esse belo texto, que é ORATÓRIO DAS ÁGUAS,  ilustrado por Gabriel Ferreira.

                                                               Maria de Lourdes Netto Simões (Tica Simões)

RESENHA ORATÓRIO DAS ÁGUAS- Tica Simões Read More »

O NATAL – R. Santana

 

     Em tempos idos, tempo de simplicidade, de amor e paz, o Natal era nossa festa maior. A minha tia Judite, que carinhosamente, eu a chamava de “mãe Judite”, fazia o possível e o impossível para alimentar o meu sonho de “Papai Noel”. Nas noites dos dias 24/25, ela servia a ceia natalina, mais farta e diversificada, mas, antes de tudo, a família prostrava-se em oração para celebrar o nascimento de Jesus Cristo. Quando dava meia noite, lá estávamos na Missa do Galo.

     A casa não era rica, mas não podíamos nos queixar da ceia de Natal: peru, frango ao molho pardo, carne, patê de fígado, purê de batata, feijão, arroz, saladas, nozes, azeitonas, tudo regado com bom vinho para os adultos e a molecada se empanturrava em doces de caju, manga, jabuticaba, quem não gostava de doce, se empanturrava no caldeirão de ponche natural – não havia geladeira.

     Quando voltávamos da missa, na estrada de barro, quando não estava chovendo, que a lama respingava e manchava nossa roupa nova, nós vínhamos brincando e pegando picula, os garotos eram da mesma idade, tudo era festa. Não havia malfazejo, ladrão só de galinha, saíamos da missa e chegávamos em casa sem sermos molestados por algum malfeitor.

     Nós não entendíamos bulhufas do que o padre falava. A maioria das vezes, era um padre alemão de língua embolada, sabíamos que tinha chegado ao fim, quando ele ultimava os ritos finais: “Benedicat vos omnipotens Deus” e “Pater et Filius et Spiritus Sanctus, Amen!”, aí, corríamos para o presépio, onde Jesus Cristo, deitado na manjedoura significava o gesto de humildade absoluta. Não sabíamos o significado eclesial do presépio, queríamos só brincar e olharmos os animais do presépio e os três Reis Magos adorando o Menino–Deus, José e Maria.

     Questionava mãe Judite como Papai Noel conseguiu passar pelo telhado com aquele saco enorme de presentes. Ela dizia-me que Papai Noel é encantado e entra em qualquer casa, desde que o menino lhe rogue um brinquedo, e acrescentava que Papai Noel mora numa terra muito distante, lá no Polo Norte, lugar de muito gelo, por isto, sua roupa vermelha fechada com boina de lã para evitar o frio e, nas grandes distâncias, ele usa seus trenós mágicos com renas amestradas para percorrer o mundo.

     Porém, o bom do Natal era o dia seguinte: pulava da cama em busca do presente que tinha pedido ao Papai Noel, uma bola, um “caminhão”, ou, uma pistola de jato d`água, encontrava-o dentro do sapato ou fora, conforme o tamanho do presente, certa feita, ganhei um velocípede da empresária Nela.

     As rádios AM e os alto-falantes dos bairros eram imprescindíveis para divulgar os festejos e as noites natalinas, Jesus Cristo era o tema, mas o sentimento infantil e lírico das letras deslumbravam os garotos: “Natal está chegando, plim plim plim / Que bom te ver sonhando, plim plim plim / Aqui não vai ter neve, vai ter sim / Muito calor e amor pra mim!”

     Não se pode apagar a chama do Natal, pois apagar-lhe seria desconstruir um reino de magia, de sonhos, de esperança, além do significado religioso que é importantíssimo na história da humanidade. Festejar o nascimento de Jesus Cristo é um ato de gratidão por ter morrido na cruz pra redimir o pecado do homem.

     A tradição oral e escrita, hoje, a mídia falada e televisada são fundamentais para alimentar o sonho do bom velhinho, bonachão, barrigudo, barba e cabelos brancos, que traz no seu saco de brinquedos, a inocência, o amor e a paz, que, ele fique na mente das crianças e dos adultos para sempre.

     Se a vida é tão dura e difícil, se a alma não fosse alimentada com efeito artístico, magia e fantasia, a morte seria um descanso, não a esperança de vida eterna. Por isto, Papai Noel é o suporte emocional necessário para preencher a lacuna de insegurança do homem de todas as raças e credos, não, somente dos cristãos.

     Os estadunidenses, por causa do limite físico do homem e sua natureza finita, eles criaram, também, no Século XX, seus heróis imortais, não a exemplo de Papai Noel, personagem infantil, mas heróis que combatem a injustiça e protegem os mais fracos, a exemplo de Thor, Hulk, Homem de ferro, Capitão América, dentre outros heróis.

     O brasileiro para mexer com a alma dos seus pequenos, criou seus personagens que povoam a mente de crianças e adultos, eles não são universais, mas satisfazem o imaginário do seu povo, a exemplo de Saci-pererê, Curupira e Boitatá.

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna – ALITA

Imagem: Google

O NATAL – R. Santana Read More »

NELA- R.Santana

     Não sei se o nome dela era Nelha, Nélia, Agnela, apelido ou mesmo Nela. Quando a conheci, eu tinha 5 ou 6 anos de idade, ela deveria ter menos de 30 anos de vida. Nela era alta (sem ser espigão), corpo longilíneo, cabelos castanhos ondulados, olhos verdes esmeraldas, pele europeia, enfim, uma deusa grega, mas era italiana de nascimento.

     Tudo começou quando meu tio Pedro e “mãe” Judite resolveram aventurar a vida no Sul do País, eles escolheram Porecatu, cidadezinha do Paraná. Naquela época, a cana de açúcar era responsável pela riqueza da região. A cana de açúcar cobria milhares de hectares de terra, era a lavoura principal, a única.

     Tio Pedro não tinha costume de trabalhar em roça e “mãe” Judite foi trabalhar de doméstica numa casa rica e tio Pedro foi trabalhar no bar, restaurante e sorveteria de Nela, o único da cidade. A freqüência era ótima, a cerveja, o whisky e a cachaça pura de alambique e os petiscos deixavam os bebedores com vontade de virar a noite.

     Na minha ingenuidade de criança, pouco e pouco, fui sabendo das coisas: ela era viúva, não queria saber de casamento e não se desgrudava dum revólver 38 luzídio no bolso do vestido ”tubinho” colado ao corpo fulgurante. Seu casamento não lhe deixara filhos, talvez, a causa de seu gênio irascível e temperamento dominante.

     Porém, não existe coração duro para que um coração ingênuo de uma criança não amoleça… Eu tinha os mesmos traços físicos dela: branco, olhos verdes, cabelos de milho verde, nordestino com traços europeus. As pessoas perguntavam a Nela se eu era seu filho, quando não era conhecido, ela dizia “sim”. Eu sentia-me bem que Nela fosse minha mãe de verdade, não de mentira.

     Tio Pedro adquiriu sua confiança e passou administrar o trabalho do pessoal da cozinha e os garçons. Embora fosse o chefe, ele se sentia como um deles, por isto, a produtividade e a receita aumentaram, porque todos trabalhavam com gosto, Nela esporadicamente ia ao restaurante, chegava e saía como cliente e nada esmiuçava.

     Nela possuía uma “Fobica, modelo Ford”, o luxo do luxo, bancos de couro e rodas enraiadas douradas. Fobica toda vermelha com detalhes pretos. Porecatu, naquela época, contavam-se as ruas, todo mundo se conhecia, todo mundo era amigo de todo mundo, cidade bairrista, o forasteiro levava tempo pra ser aceito. Nela me colocava no assento da frente (não havia cinto de segurança), mas suportes para segurança e proteção.

     O Natal lá foi um dia dos mais felizes de toda minha vida. Acostumado com carrinhos feitos de lata de óleo de comida, nesse Natal, quando me acordei, estendido sobre a cama um conjunto de roupas para vesti-las na Missa do Galo e Ano Novo e, embaixo da cama à altura dos pés um velocípede amarelo com detalhe vermelho. Para mim um sonho e não realidade.

     Diz o provérbio popular: “Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe…” , final de janeiro daquele ano, tio Pedro e “mãe Judite” deram saudade de Itabuna e comunicaram à Nela que iam voltar pra Bahia.      Ela só faltou se ajoelhar para que eles ficassem, mas em vão, a saudade dos amigos, parentes, era mais forte.

     Na casa do sem jeito, ela implorou pra que me deixassem como adoção, porém, o orgulho de gente pobre é mais enraizado, nem pensar naquela proposta. Eu chorei, estrebuchei-me, fiquei doente, porém, eles trouxeram-me de volta para vida medíocre, paupérrima.

     Acho que Nela e eu nunca nos esquecemos, o destino é injusto e mau!…

 

 

Autor: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna – ALITA

Imagem: Google

 

NELA- R.Santana Read More »