Os amigos não recuam diante da calúnia que feriu o companheiro inocente, de pronto expressam a sua solidariedade contra o malfeitorque macula a honra de quem anda acompanhado do bem. São firmes, solidários, sinceros. Em certas ocasiões oferecem a barca para que alcancemos a outra margem porque sozinho não sabemos como chegar ao outro lado do rio. Põem as suas mãos em nossas mãos para que a vida fique viável. Assim, com o brilho na celebração do afeto, as suas luzes não se apagam, sobrepairam nas manhãs serenas.
São esses que nos vestem de verdade quando menos o bem se espera deles. Trazem no cotidiano do mundo um abraço generoso. No gesto desse abraço a vida expande-se amável. É digna de uma cena inventada, que põe a esperança em nossa caminhada. De nosso ser nada tiram, ao contrário somam, a amizade, dizem, nunca debanda.
E porque na Câmara de Vereadores de Itabuna o vereador Clodovil teve uma atuação relevante para que a Academia de Letras local fosse reconhecida como instituição de utilidade pública, numa conduta irretocável, aquela entidade manifesta agora o seu apreço pelo ato valoroso de um amigo. Homenageia o edil com uma placa de honra ao mérito. Maneira que encontrou para externar a sua gratidão a quem falou alto e trouxe benesses às Letras, às Artes , às Ciências e à Cultura.
Nem sempre os amigos se conhecem pessoalmente na formação da amizade, embora continuem próximos na rotina da vida. Tenho feito amigos que nunca os vi pessoalmente. Os contatos forjados pelo aceno das distâncias se consolidaram na passagem do tempo através da correspondência realizada com afirmações positivas, agradáveis. A ausência foi sendo substituída pela alegria e o prazer de sentir a vida como se estivéssemos próximos. Perto ou distante, a arte da amizade é necessária para que o entendimento decorrente do gesto das mãos nas mãos torne a vida sem dominações, ciúmes e traições.
O ideal seria que as relações de apreço e afeto resultassem duma união geral para que a vida fosse forte e bela, com benesses suficientes para todos que caminham nela. Como tal ainda não aconteceu, lembro um poema do mineiro Elias José, querido amigo, de saudosa memória, que só tive o prazer de ver uma vez quando apareceu por essas bandas de cá no sul da Bahia. Esse mineiro de Guaxupé, escritor de mão cheia, na prosa e no verso, enviou-me o poema “Amigo” quando ainda era inédito.
A palavra AMIGO
Abre-se com a gente
E sabe escutar e guardar
Queixas e segredos.
Chora a dor que é nossa,
Faz festa na nossa alegria.O mundo seria mínimo
E sem a menor graça,
Se não existisse a graça,
Se não existisse a luz
Da palavra AMIGO.



